Por Sofia Tenreiro (*)
A Tecnologia é uma enorme paixão que desenvolvi desde muito cedo. Ao longo do meu percurso profissional, profundamente marcado pela mesma, encarei sempre a inovação como um verdadeiro motor de transformação, uma força que nos permite ver o mundo não apenas como ele é, mas como pode vir a ser. Inovar nunca foi um objetivo com metas distantes, mas uma responsabilidade diária.
Nas equipas que integrei, essa visão traduziu-se num uso consistente da tecnologia para repensar processos, explorar novas possibilidades e abrir caminho a soluções que antes pareciam inalcançáveis. São ambientes exigentes e estimulantes que nos desafiam a experimentar, a aprender rapidamente e a transformar ideias em resultados concretos. E é neles que a tecnologia se revela mais do que uma ferramenta: torna-se cultura, mentalidade e um poderoso impulso para avançar.
Atualmente, o acesso a tecnologias como a inteligência artificial (IA), está a redefinir a forma como as empresas e as infraestruturas operam. Até os princípios de Recursos Humanos estão a ser postos em causa, com uma nova realidade de equipas híbridas, entre humanos e agentes, a emergir. No entanto, a tecnologia por si só não cria valor. O verdadeiro desafio consiste em identificar os problemas ou oportunidades que queremos endereçar e desenvolver novas soluções, aplicá-las de forma responsável, e garantir que geram um impacto extremamente positivo e duradouro na sociedade e nas vidas das pessoas.
A IA tem o potencial de transformar profundamente a eficiência com que trabalhamos, com que a indústria opera, reduzir desperdícios, melhorar a gestão de infraestruturas, e apoiar decisões mais informadas e estratégicas. Mas exige também uma visão clara sobre ética, transparência, confiança e o necessário desenvolvimento das pessoas.
Por isso, mais do que nunca, precisamos de talento que combine competências tecnológicas com pensamento crítico e curiosidade, talento que acredite nas vantagens de uma adoção de IA no seu dia a dia e que se sinta preparado para retirar o máximo valor desta tecnologia. Neste contexto, um dos fatores mais determinantes para obter sucesso na inovação prende-se com a diversidade de pensamento. A diferença de experiências e perspetivas amplia a capacidade de interpretar problemas e conduz a soluções mais robustas. Quando os desafios são complexos – e na tecnologia quase sempre o são –, esta pluralidade torna-se uma verdadeira vantagem competitiva.
Criar ambientes de trabalho diversos, onde todos têm acesso a oportunidades de desenvolvimento, aprendizagem e crescimento, não é apenas uma questão de princípios, é também uma poderosa alavanca para estimular a criatividade e acelerar a inovação. Empresas que valorizam a diversidade tendem a alcançar melhores resultados, atraem e retêm profissionais altamente qualificados e, ao mesmo tempo, constroem culturas mais colaborativas, dinâmicas e resilientes.
Falo também por experiência própria: na Siemens temos pessoas de mais de 70 nacionalidades, uma distribuição de género que já privilegia mais de 40% de mulheres, a trabalhar em soluções para alguns dos desafios mais complexos da atualidade, das alterações climáticas e demográficas à digitalização. Com equipas tão diversas como estas e com o potencial da inteligência artificial a abrir novos horizontes, é difícil não olhar para o futuro com uma enorme confiança.
(*) Presidente-executiva da Siemens Portugal
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