Natalia Oropeza, é Global Chief Cybersecurity Officer & Chief Diversity Officer na Siemens AG e tem uma visão muito clara sobre a forma como as organizações devem encarar os desafios crescentes de cibersegurança. Com mais de trinta anos de experiência, explicou ao TEK Notícias a sua visão e a aposta que é feita nesta área em Portugal, onde destaca o valor do talento e da diversidade que traz novas perspetivas e pensamento diverso.

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Com uma carreira internacional que passou pelo México, EUA e Alemanha, Natalia Oropeza está a liderar a área de cibersegurança da Siemens desde 2018 e  coordenou também a iniciativa Charter of Trust, uma aliança internacional de empresas do sector industrial que trabalham juntas para reforçar a cibersegurança e promover a confiança digital.

Em Portugal a Siemens tem um dos maiores centros de cibersegurança nacional, um hub que integra a estrutura mundial da empresa neste domínio, a que se somam mais duas localizações estratégicas. E esta é uma área que está a crescer, embora não obrigatoriamente em número de pessoas.

“A Siemens já tem uma experiência de mais de 30 anos com a cibersegurança, especialmente nos produtos […] desenvolvemos processos muito seguros e fortes nessa área”, explicou em entrevista ao TEK Notícias. “Temos uma situação estável, e muito suporte do CEO e do board”.

As ameaças crescentes, decorrentes também de tensões geopolíticas, fazem com que o nível de alerta aumente assim como a motivações para atacar as infraestruturas críticas, e é importante que as empresas estejam preparadas, definindo a cibersegurança como uma prioridade e adotando medidas estratégicas e não táticas.

Nos últimos anos várias empresas foram obrigadas a redefinir as suas estratégias de cibersegurança depois de ataques informáticos que afetaram o seu negócio, e que dependendo da sua dimensão podem ter impactos mais alargados na cadeia de valor, e na economia de uma região. “A confiança é a base e as empresas precisam de cooperar”, defende, lembrando que essa é uma das bases da iniciativa do Charter of Trust que foi promovido pela Siemens e que tem 10 princípios que orientam a atuação dos seus membros.

A consciência dos ativos críticos e uma estratégia de ponta a ponta fazem parte das necessidades básicas e é importante desenvolver tecnologia, e investir em recursos e competências. Nas maiores empresas a cibersegurança já é um pilar estratégico, mas nas PME é mais difícil, especialmente sabendo a necessidade de investimento e a complexidade do enquadramento regulatório.

Os riscos das infraestruturas críticas

Mesmo com todo o investimento, as organizações têm de assumir que vão ser atingidas, e definir estratégias de gestão de continuidade do negócio (Business Continuity Management), dar prioridade à resiliência, e soluções para recuperação rápida, evitando que os ataques atinjam “onde realmente dói”.

Para Natalia Oropeza, o pior cenário é o de ataques que possam atingir as infraestruturas críticas das organizações e países. “Posso lidar com os ransomwares deste mundo, temos uma equipa de crise, backups para recuperar, mas se atingem infraestruturas críticas é um desastre”, afirma, dizendo que isso é o seu principal pesadelo, também pelos danos colaterais.

A aposta tem que passar pelo reforço da tecnologia, mas também das pessoas. O hub de cibersegurança em Portugal é um bom exemplo, e a Siemens continua a contratar, desenvolvendo ciberacademias com um programa de formação de 12 meses para atrair e formar novos talentos sem experiência prévia nesta área.

A CyberMinds Academy já conta em Portugal com 3 edições, que receberam mais de 35 participantes, dos quais 26 foram contratados.

No final do terceiro trimestre de 2025 o Portugal Tech Hub tinha mais de 1.600 especialistas de mais de 50 nacionalidades, e destes 120 colaboradores dedicavam-se exclusivamente a área de cibersegurança.

O crescimento é “o nome do jogo”, mas não necessariamente em número de pessoas. “Este ano integrámos mais pessoas e estamos a tentar ser mais eficientes com a IA”, explica, mas no futuro o objetivo é usar mais o poder dos dados e de processamento com a inteligência artificial.

Valorização da diversidade na cibersegurança

Natalia Oropeza destaca a diversidade e o pensamento diverso que a área de cibersegurança em Portugal traz à operação. “Cada país traz uma perspetiva nova, e na cibersegurança ganhamos com a diversidade e novas formas de olhar e resolver os problemas quando enfrentamos uma situação crítica”, afirma.

A executiva é também responsável pela área de Diversidade, Igualdade e Inclusão, que assumiu em 2020, e é clara a sua sensibilidade para o tema.  Natalia Oropeza é membro fundadora da Women4Cyber, uma iniciativa da European Cyber Security Organisation (ECSO), e como mulher também teve que se posicionar nesta área, tipicamente dominada por homens.

“Trata-se de propósito. Estou convencida de que a cibersegurança protegerá a tecnologia que tornará o nosso mundo um lugar melhor para se viver. Como mulher, navego por este campo mantendo-me tecnicamente excelente, comunicando com clareza e construindo alianças de confiança, ao mesmo tempo que abro portas para que outras mulheres não tenham de percorrer este caminho sozinhas”, destaca.

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