A última semana foi dominada pelas notícias do Mobile World Congress 2026, onde as principais fabricantes fizeram desfilar os novos produtos que chegam às lojas nos próximos dias (ou nos próximos meses) e os conceitos que podem nunca chegar a tornar-se soluções comerciais. Os anúncios confirmam a maior maturidade da Inteligência Artificial e os casos de uso cada vez mais personalizados, a "corporização" da IA com robots de todos os tamanhos e feitios, mas sem grande inovação em formatos dos smartphones ou PCs. E as comunicações por satélite, o 6G a "espreitar" e a importância da soberania tecnológica.

É impossível percorrer toda a feira e conseguir ver, e perceber, tudo o que foi anunciado no MWC26, que decorreu oficialmente de 2 a 5 de março mas que começou ainda no fim de semana, com os anúncios da Xiaomi e da Honor. Para além dos mais de 2.900 expositores  que trouxeram as últimas novidades, as conferências, com mais de 1.700 oradores vão subir a 24 palcos, complementados por sessões de networking, foram também espaços procurados por quem quer conhecer as tendências. 

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No ano em que assinala o 20º aniversário do MWC em Barcelona, a GSMA, que organiza a feira, esperava um número recorde de participantes, com mais de 110 mil visitantes, mas o ataque dos Estados Unidos ao Irão acabaria por ter impacto negativo, atrasando ou cancelando voos do Médio Oriente, e fazendo com que globalmente a feira estivesse sempre menos movimentada do que é habitual. Tudo indica que haverá uma quebra do número de visitantes.

Veja as imagens captadas pela equipa do TEK no MWC26

Pelo meio dos 8 pavilhões da Fira Gran Via, os espaços ainda na Fira Montjuic e as apresentações, exposições e reuniões fora das zonas oficiais, a equipa do TEK partiu à descoberta das principais novidades, aproveitando também para conversar com expositores, oradores e visitantes para "medir o pulso" ao nível do entusiasmo. Sem esquecer as empresas portuguesas que este ano marcaram uma presença "mais forte".

Entre percepções dos que reconhecem "pouca inovação" e as dos "entusiastas crónicos", as dúvidas sobre o impacto da Guerra no Irão, a subida de preços dos chips de memórias, e o controle (ou falta dele) da Inteligência Artificial, estão entre as principais preocupações. Soma-se a isso um misto de receio e maravilha pelo que os robots já podem fazer, com exibições cada vez mais sincronizadas mas em alguns casos lentas, mas todos admitem que este não será um ano fácil.

Conceitos com margem de progressão (e entusiasmo)

A par dos novos produtos que estão a chegar às lojas, ou que já chegaram, e que foram anunciados no início do ano na CES, ou em eventos fora das feiras, as principais fabricantes trouxeram ao MWC26 novos conceitos de smartphones e tablets que mostram a evolução da tecnologia, mas que podem nem chegar a ver a luz da realidade nas prateleiras das lojas. 

Um dos conceitos que atraíram mais interesse foi o do Robot Phone da Honor, com um braço robótico que permite destacar a câmara fotográfica que conta com estabilização de imagem, semelhante a um gimbal. A empresa diz que chega ao mercado ainda este ano, mas aparentemente só na China, e ninguém avançou preços.

Veja as imagens do Robot Phone da Honor

Parece um brinquedo, até pela forma como foi apresentado no vídeo divulgado pela Honor no ano passado, mas tem potencial de utilização por quem quer gravar todos os momentos, ou fazer lives com estabilização do vídeo. E as animações com a IA, onde há respostas como se fosse um assistente pessoal, e as danças ao ritmo da música são um elemento adicional que gera curiosidade e promete animar reuniões de amigos e família.

Mais virados para a produtividade, a Lenovo levou à feira um portátil modular, um Yoga Book Pro 3D e um assistente em “modo candeeiro”. Todos com integração da assistente Qira, que a Lenovo anunciou na CES, a capacidade de reconhecer gestos e a multiplicação de formatos de uso.

Veja as imagens dos conceitos apresentados pela Lenovo no MWC26

É certo que a empresa deixou na gaveta os ecrãs transparentessmartphones que se transformação em pulseiras e ecrãs que crescem (para todos os lados), ou deslizam que geraram entusiasmo em anos anteriores, e aceitamos apostas sobre quais são os que vão conseguir passar o "deserto" dos conceitos inovadores e chegar ao mercado.

Na lista das ideias recuperadas de feiras anteriores, a Tecno decidiu este ano pegar no conceito de smartphones modulares e trazer um formato mais refinado, mas que ainda tem algumas (ou muitas) arestas a limar, como o TEK pode comprovar. Será realmente útil ir adicionando blocos a um smartphone para ter mais capacidade de bateria, fotografia ou componentes extra? A tecnologia Modular Magnetic Interconnection facilita o processo, mas alguns dos elementos (como a lente fotográfica) exigem ligação Wi-Fi e mostraram alguns erros.

Tecno modular no MWC26
Tecno modular no MWC26 Tecno modular no MWC26

Para juntar aos novos conceitos, a Tecno mostrou ainda o POVA Neon o primeiro smartphone (e se calhar o último) a adotar a tecnologia de iluminação com gás inerte ionizado num smartphone, criando um efeito luminoso diferenciado.

POVA Neon da Tecno
POVA Neon da Tecno POVA Neon da Tecno créditos: Tecno

Entre danças robóticas e "animais de estimação" com IA

Não havia gadgets estranhos ao nível do que vimos este ano na CES 2026, no entanto há alguns conceitos que parecem ter maior dificuldade de vingar. Ou não. Curiosamente não vimos tantos óculos inteligentes como no ano passado, nem "assistentes" do género do AI Pin da Humane, mas havia muitas mostras de "sobrevivência" de equipamentos mergulhados em aquários ou tanques.

E para a lista dos estranhos, vai o smartphone da Oukitel, o WP63, com um isqueiro integrado, para além dos modelos com baterias superlativas, que chegam aos 20.000 mAh.

Os robots, como não podia deixar de ser, estavam por todo o lado, e continuam a atrair o maior número de curiosos, mesmo que seja para os ver a não fazer nada. Ou apertar a mão ao Rei de Espanha.

O robot humanoide da Honor não foi o único a roubar atenções no MWC26. Pelos vários pavilhões da feira em Barcelona, foi possível encontrar múltiplos robots, uns mais discretos e outros bem mais chamativos, como os da chinesa Magiclab.

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Integrada no New Frontiers, o espaço de exposição dedicado a tecnologias como embodied AI, redes de telecomunicações por satélite, computação quântica e robótica, a fabricante trouxe uma variedade de robots que fazem parte do seu portfólio.

Além dos robots humanoides MagicBot, com dimensões mais compactas, e G1, com modelos vestidos a rigor num estilo semelhante ao dos Daft Punk que não passaram despercebidos, estiveram em destaque os modelos quadrúpedes da fabricante.

Com um design parecido ao que já vimos em robots como o CyberDog da Xiaomi, o MagicDog é acompanhado por modelos como o MagicDog-W, equipado com rodas nas “patas”, e ainda pelo MagicDog-Q1, um robot industrial concebido para carregar cargas pesadas.

MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA
MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA MagicLab

A fabricante levou ainda um panda robótico, parecido com os que usou durante as celebrações do ano novo lunar na China, que fazia truques e pequenas danças para chamar a atenção dos visitantes mais curiosos.

A par da MagicLab, a conterrânea AgiBot também demonstrou o seu ecossistema robótico, com soluções que vão de modelos humanoides a robots quadrúpedes, passando ainda por mãos robóticas desenhadas para ajudar humanos em aplicações industriais.

MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA
MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA

Na série de robots A2 esteve em destaque um modelo que funciona como um empregado de mesa robótico, capaz de manter bandejas equilibradas sem deitar copos abaixo. Já da série X2, o modelo X2 Ultra, mais compacto e com um ar mais amigável, divertiu os visitantes que passavam pelo stand com uma variedade de danças.

Para lá das danças robóticas, as criações do Chengdu Humanoid Robot Innovation Center (CHRIC) apanharam-nos quase de surpresa com um dinossauro animatrónico e com um pequeno robot, chamado Tangpa, com um aspecto que tem algumas parecenças com os robots desenvolvidos pela Disney, em parceria com a Nvidia e a DeepMind.

MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA
MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA Chengdu Humanoid Robot Innovation Center (CHRIC)

Longe do aspecto mais “frio” e futurista dos robots humanoides, o iMoochi da ZTE quis conquistar os corações dos visitantes com o seu aspecto adorável. Com olhos expressivos e um exterior felpudo, é descrito pela marca chinesa como um animal de estimação robótico com IA.

Segundo a ZTE, o iMoochi foi criado para ser um companheiro emocional, seja para quem gosta de animais, mas não os pode ter em casa, ou para famílias. Este pequeno robot responde a interações, como festinhas na cabeça, com movimentos e sons, e é capaz de “falar”.

A família iMoochi conta com 5 membros, cada um com um aspecto diferente e personalidade própria. Através da app que o acompanha é possível dar-lhe um nome e acompanhar o seu estado de espírito. Com um preço a rondar os 300 euros, o iMoochi vai estar, para já, disponível apenas no mercado japonês.

MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA
MWC26 | Entre danças robóticas e animais de estimação com IA iMoochi | Créditos: ZTE (via Instagram)

O 5G ainda por cumprir com o 6G já à espreita

As redes móveis já estão a entrar numa nova fase, onde o 5G Standalone começa a materializar-se, mas ainda longe de cumprir todo o potencial. Na abertura da feira, Vivek Badrinath, diretor geral da GSMA, apelou a definição das prioridades para os próximos anos, com investimento em redes standalone, acesso a IA de forma aberta e inclusiva e a coordenação entre a indústria e os governos para construir um futuro digital mais seguro para todos.

A associação que promove o MWC anunciou durante a feira Open Telco AI, uma iniciativa que pretende acelerar a colaboração entre os operadores, fabricantes, programadores e instituições académicas e que já conta com um portal para colaboração. 

A preocupação com os custos da energia, os preços dos chips e a dificuldade de acesso a capacidade de processamento, assim como a discussão sobre a soberania tecnológica e a redução da dependência da Europa face a outros blocos económicos, também centraram muitos dos debates e ficou bem patente nas intervenções nas conferências.

E o 6G já é mais do que uma promessa? Pode ainda ser cedo mas a ambição europeia já se fez sentir com mais energia em Barcelona, com investimento em curso e casos de uso em desenvolvimento. 

Startups portuguesas com presença reforçada

Este ano, a delegação de empresas que a Startup Portugal levou para o 4YFN, o evento dedicado à inovação das startups do MWC, voltou a crescer, passando de 18 em 2025, para 30 que, atualmente, empregam mais de 300 pessoas e já atraíram investimentos na ordem dos 30 milhões de euros.

“De ano para ano temos tido mais startups e uma presença cada vez mais forte”, afirmou Alexandre Santos, presidente da Startup Portugal, em entrevista ao TEK Notícias.

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Segundo o responsável, o crescente interesse por parte dos fundadores de startups ajuda a explicar o aumento no número de empresas que viajam através do programa Business Abroad, acrescentando que, dado à proximidade do evento de Portugal e à sua relevância no contexto europeu, “este é um evento que tem muita procura”.

Procurar investimento e potenciais clientes, encontrar futuras parcerias ou avançar na internacionalização são alguns dos objetivos das startups que fazem parte da delegação portuguesa, onde se destacam projetos nas áreas de Enterprise Software, Healthcare & Wellness e Greentech. 

Como realçou Alexandre Santos, a Startup Portugal quer reforçar a aposta no que toca a levar empresas portuguesas para “mercados relevantes a nível internacional” e, para 2026, o objetivo passa por “trabalhar ainda mais” o programa Business Abroad. 

As novas fronteiras das comunicações com satélites

Da Terra seguimos para o Espaço, para as novas fronteiras da inovação em telecomunicações, com foco nas redes por satélite. Por um lado, a SpaceX continua a reforçar a constelação Starlink e aproveitou a feira em Barcelona para “estrear” o Starlink Mobile, numa evolução do serviço Direct-to-Cell que já oferecia desde 2024. 

A empresa de Elon Musk está também a preparar-se para lançar uma segunda geração de satélites, chamada V2. O objetivo passa por disponibilizar uma experiência de conectividade semelhante à das redes terrestres 5G de alto desempenho, num serviço previsto para 2027 que deverá ser compatível com a maioria dos smartphones nos Estados Unidos. 

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Mas não é só nos Estados Unidos onde a conectividade Direct-to-Device (D2D), que permite ligações entre conectividade entre smartphones ou dispositivos IoT e satélites, está a ganhar cada vez mais relevância. 

Projetos como os das europeias OQ Technology, que recentemente assegurou um financiamento de 25 milhões de euros, ou Sateliot contam já com satélites em órbita, com planos para o reforço das constelações nos próximos anos, criados para colmatar as falhas de cobertura móvel que ainda existem um pouco por todo o mundo. 

Do lado da Open Cosmos, que tem presença em Portugal, também há planos para novas constelações, neste caso para oferecer comunicações seguras a empresas e entidades governamentais, combinando ligações diretas de banda larga com conectividade D2D IoT.

O resumo já vai longo mas não há dúvidas de que as notícias e os ecos do MWC26 ainda se vão sentir nas próximas semanas, e meses. Para já pode tomar nota da data do próximo ano, com a feira marcada para os dias 1 a 4 de Março de 2027.

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Nota: o TEK viajou a convite da Honor e da Xiaomi