A IDC reviu em baixa as previsões de vendas para o mercado de smartphones e de PCs e com a nova análise também está a rever a posição sobre o impacto da escassez de memória nestes e noutros mercados de dispositivos em sentido mais lato. E as previsões não são boas. Como já referia a nota sobre a revisão em baixa para o mercado de smartphones, as mudanças em curso não são pontuais. Vieram para ficar.
“Não se trata de uma perturbação de um trimestre. É uma mudança estrutural que definirá a narrativa do mercado de dispositivos até meados de 2027”, diz uma nova nota de análise da consultora.
Em dezembro, a IDC traçava um futuro com dois cenários - um cenário moderadamente pessimista, outro mais pessimista. Agora defende que a realidade será pior que o cenário mais pessimista.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt
Lembra que os fabricantes fizeram o que puderam para se anteciparem a uma mais do que provável subida de preços das memórias DRAM e da NAND e isso teve um impacto claro nas remessas feitas no final de 2025 e nos primeiros meses de 2026, mas daqui até 2027 o cenário será outro.
“À medida que os preços da memória sobem e alguns fornecedores, especialmente os menores, lutam para garantir e/ou pagar por um fornecimento adequado, esperamos que os volumes de unidades caiam drasticamente”. Isso vai ser notório já a partir do segundo trimestre.
Os preços médios de venda (ASP) vão subir e a procura em volume vai recuar, acabando por gerar um crescimento líquido negativo o ano inteiro, “mesmo que o quadro de receitas pareça enganosamente estável devido aos ASPs inflacionados”.
No mercado de computadores, as novas previsões da IDC apontam para uma queda de 11,3% em 2026, com as receitas a crescerem 1,6% graças ao aumento dos preços médios de venda. Tal como nos telemóveis, a estabilização é esperada para 2027 e a recuperação para 2028. Nos telemóveis, além do recuo de 12,9% também se espera uma diminuição do bolo global de receitas na ordem de 0,5%.
A consultora acredita que no segundo semestre deste ano, a taxa de aceleração dos preços da memória já diminua, mas mesmo assim os preços vão continuar a subir. “O nosso modelo não aponta para um retorno aos níveis de preços de 2025 dentro do horizonte de previsão”, porque os fatores que estão a pressionar a escassez de oferta e o aumento de preços vão manter-se.
Também diz que os efeitos desta remodelação das dinâmicas competitivas não vai ficar-se só pelo mercado de PCs, mas afetar também tablets, auscultadores XR, dispositivos vestíveis e consolas de jogos.
Nos mercados mais afetados. Quais são as contas que vale a pena fazer?
Para lidar melhor com a escassez e o preço das memórias, alguns fabricantes devem começar a disponibilizar equipamentos com configurações mais modestas a este nível. Exemplo: um telemóvel que poderia ter sido comercializado com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento há um ano, poderá ser lançado com 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento pelo mesmo preço, ou mais caro. A mesma dinâmica é esperada nos PCs, onde as configurações básicas poderão sofrer reduções significativas na RAM e na capacidade do SSD.
“A matemática simplesmente não funciona para um smartphone de 150 dólares ou um computador portátil de 400 dólares quando os custos de memória aumentam em percentagens de dois ou até três dígitos trimestre após trimestre”. O caminho é deixar de vender produtos com esses preços, ou fazer ajustes às configurações.
Nos smartphones esta matemática terá um peso especialmente grande, tendo em conta que no ano passado foram vendidos 360 milhões de smartphones com preços inferiores a 150 dólares. Quem não tiver condições de acompanhar a evolução esperada de preços para a casa dos 200 dólares, a saída é prolongar ciclos de utilização ou apostar num usado.
Tarifas de importação voltam a topo da agenda e das preocupações
A IDC reafirma ainda que as empresas com maior poder de compra, relações mais fortes com fornecedores e capacidade de se comprometer com contratos de grande volume estarão em melhor posição para conseguir comprar a memória que precisam e vão conseguir gerir melhor a pressão de preços. Já os “fornecedores menores e regionais, que já operam com margens mais estreitas, terão cada vez mais dificuldade em competir”. Por causa disto, 2026 deverá ser um ano de reforço de quotas de mercado para quem já tem mais poder.
A tendência de redução da memória também pode penalizar muito a categoria de PCs com IA, que ainda não conseguiu atrair o mercado. Para dar esse salto é preciso continuar a multiplicar a oferta e mostrar o valor dos PCs co IA, o que não será fácil de conseguir com as limitações atuais.
Se os fabricantes forem obrigados a fazer concessões no nível de RAM dos equipamentos, isso tem um impacto maior do que “limitar as capacidades atuais de IA. Limita o potencial destes dispositivos para executar modelos locais, gerir janelas de contexto e lidar com o débito de dados que uma IA significativa no dispositivo exigirá”.
A questão das tarifas americanas à importação promete também voltar a ensombrar o ano, depois de Donald Trump responder à decisão do Supremo Tribunal dos EUA com uma nova decisão de tarifas de 10% que podem subir para 15%. “Para a indústria de dispositivos, isso cria uma profunda incerteza. Uma tarifa de 15% sobre produtos acabados e componentes acrescenta pressão de custos adicionais aos preços já inflacionados da memória”.
Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.
Em destaque
-
Multimédia
Telescópio Hubble registou o último brilho de uma estrela semelhante ao Sol -
App do dia
Still: Organize pensamentos, reflexões e estados de espírito num diário digital minimalista -
Site do dia
Edite documentos em PDF, sem perder a formatação, e de forma gratuita com o LightPDF -
How to TEK
Onde encontrar os ficheiros descarregados no iPhone ou smartphone Android?
Comentários