A consultora IDC já tinha anunciado os resultados referentes à venda de smartphones no último trimestre do ano, com mais de 1,26 mil milhões de unidades expedidas ao longo de 2025, o que correspondeu a um aumento anual de 1,9% face a 2024. Agora revelou detalhes adicionais, como uma revisão no crescimento anual, que afinal foi ligeiramente inferior ao esperado, para além de expectativas mais "negras" para 2026.

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Dos anteriormente anunciados 1,9% de crescimento, o valor foi ajustado para 1,5%, o que, ainda assim, é superior ao inicialmente previsto no início do ano, de 1%. Esta melhoria está a ser sustentada pelos bons resultados da Apple, que conseguiu aumentar vendas em 6,1%.

Os números permitiram à Apple registar um recorde de vendas, não só em termos de volume de equipamentos como em valor. São mais de 247 milhões de unidades expedidas, o que corresponde a um valor de 261 mil milhões de dólares (219,9 mil milhões de euros), representando este um aumento anual de 7,2%.

Porém, as previsões para 2026 pioraram bastante com esta revisão. Se anteriormente a IDC acreditava ser possível crescer 1,2%, as previsões estão agora a apontar para um decréscimo de 0,9%, devido a uma série de fatores. O mais óbvio é a recente falta de chips para as memórias RAM e de armazenamento, situação que não afeta somente os computadores pessoais, como todos os outros dispositivos que necessitem destes componentes.

Esta restrição na oferta destes componentes fundamentais tem estado a limitar a disponibilidade e a aumentar preços, situação que deverá ter um impacto mais significativo nos dispositivos Android de baixa e média gama.

Nabila Popal, diretora sénior de equipamentos a nível global na IDC, afirma que fabricantes premium como a Apple e a Samsung estão mais protegidos, pelas margens maiores de preços e a escala, o que lhes permite ter uma base de negociação melhor com os fabricantes e a capacidade de absorver o impacto da crise de memórias. As marcas de gama baixa, que já operam nos limites vão sentir mais fortemente esta crise.

"Muitas marcas não vão ter outra escolha se não subirem preços e arriscarem a perda de vendas por parte de consumidores muito sensíveis ao custo, apesar dos esforços para de-spec [baixar as especificações]", afirma Nabila Popal.

Ainda assim esta crise é apontada como uma oportunidade para alguns OEMs mais inovadores conseguirem conquistar margens de vendas, sobretudo entre os mais ágeis e "inteligentes". 

A consultora salienta ainda a revisão estratégica das marcas, que está a ser ajustada devido à falta de chips de memória, com as empresas a afinar o ciclo de lançamento dos novos modelos. Um bom exemplo disso é a mudança estratégica da Apple, que terá decidido adiar o modelo base do sucessor do iPhone 17 do Outono de 2026 para o início de 2027. Isto terá um impacto significativo no volume de vendas de unidades, que deverá decrescer 4,2%.

Apesar do declínio previsto nas unidades vendidas ao longo de 2026, a IDC acredita que em termos de valor a situação possa permanecer equilibrada, estando previsto um aumento do preço médio de venda por unidade para os 465 dólares (aproximadamente 392 euros). Graças a este aumento, existe a possibilidade de, ainda assim, assistirmos a um novo ano recorde, com o valor do mercado a crescer para os 578,9 mil milhões de dólares, o que corresponderá a 487,90 mil milhões de euros.

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