O último mês tem sido agitado para as empresas de software cotadas em bolsa, com quedas vertiginosas no preço de muitas ações que provocaram uma erosão no valor de mercado das empresas.
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Foi um sopro ou é uma tempestade? começam a analisar os especialistas e a imprensa financeira. Ainda não se sabe, conclui a Reuters num extenso artigo sobre o tema, onde são ouvidos analistas e gestores de carteiras.
O que se sabe é que a consciência crescente do que pode fazer a inteligência artificial e as dúvidas sobre o que consegue entregar já hoje, ou sobre quem está disposto a pagar por isso e até quanto, têm aumentado e isso reflete-se no valor das ações.
Os últimos resultados trimestrais da Microsoft, que desiludiram o mercado, voltaram a fazer soar os alarmes, sobre o possível hype à volta da IA e da capacidade das empresas que mais investem hoje na tecnologia terão a médio prazo para pagar esses investimentos e capitalizar sobre eles.
Mas não é só isso. Os analistas também acreditam que as ações das empresas de software têm arrefecido porque os investidores estão a olhar para outros sectores mais tradicionais, que têm ficado para segundo plano com o frenesim da tecnologia. Nada de novo nos ciclos de Wall Street. O problema pode estar, se existir um, no tamanho desse movimento de dispersão.
Isto é, o desinvestimento nas empresas de software em favor de outras, no ponto atual ainda pode ter dois desfechos de curto/médio prazo. O mais positivo, ajusta o valor das empresas e isso vai acabar por atrair mais investidores, que aproveitam a oportunidade para apostar em companhias que têm valor intrínseco e vão acabar por fazer render o investimento.
O menos positivo, a desvalorização vai continuar. Os sectores mais tradicionais têm mais trunfos para mostrar neste momento, enquanto as grandes tecnológicas de software continuam a ter de provar que conseguem dar a volta aos seus negócios e tirar partido da IA de forma a que não se tornem nem substituíveis, nem dispensáveis.
Neste segundo cenário, e como as dúvidas vão provavelmente demorar para ter resposta, o grande risco estará numa espécie de efeito dominó - algumas vendas influenciarem cada vez mais vendas. E, ao mesmo tempo, a baixa de preços, não motivar assim tantas novas compras (que é o que tem estado a acontecer).
Rene Reyna, diretor de estratégia de produtos temáticos e especializados da Invesco, lembra que estes episódios também refletem o facto de começarmos agora a “ter uma melhor noção das capacidades da IA. O mercado está a fazer algumas reavaliações, sinalizando menos confiança no crescimento futuro das vendas de software num mundo impulsionado pela IA”. Na sua perspetiva, se é “exagero? Ainda não podemos dizer. Mas vender pode gerar mais vendas”.
Os números mostram que o índice S&P 500 de software e serviços caiu 13% só na semana passada, perdendo mais de 800 mil milhões de dólares em capitalização e cerca de 25% desde o último pico em outubro. Empresas como a Oracle, a Salesforce, a Intuit ou a Microsoft, contribuíram para isso. Numa análise da Evercore ISI para a agência Reuters, também se indica que até esta terça-feira, as empresas de software do índice tiveram a pior performance trimestral desde maio de 2002, em plena bolha de internet.
Mas para além destes sinais, parecem existir outros de que o “apocalipse” do software, como lhe chama a Reuters, pode estar a serenar. Na última semana, várias empresas já recuperaram parte do valor perdido e estas oscilações às vezes acontecem sem grandes consequências.
“A liquidação, que provavelmente começou no último trimestre, é uma manifestação do despertar para o poder disruptivo da IA…”, sublinhou à agência James Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management. “Talvez seja uma reação exagerada, mas a ameaça é real e as avaliações devem levar isso em consideração”, continua.
Jim Masturzo, diretor de investimentos da Research Affiliates, acrescenta que a “razão certa para vender estas empresas caras é que existem outras oportunidades em coisas com avaliações mais rigorosas e com mais espaço para crescer, não porque se está em pânico com uma queda nas empresas de software e tecnologia”. E muitas das vendas podem estar a refletir isso mesmo. Ou não.
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