Durante esta semana, a Agência Espacial Europeia (ESA) reuniu na Alemanha cientistas e engenheiros para debater o tema do lixo espacial. No entanto, partilhou o mais recente relatório relacionado com o ambiente espacial, apontando que 2024 registou alguns dos maiores eventos que geraram lixo no espaço em décadas.

A ESA diz que com o aumento do lançamento de satélites no espaço, a órbita baixa e mais próxima da Terra está a tornar-se cada vez mais atulhada de lixo, aumentando o perigo. Nas contas da ESA, mais de 1,2 milhões de objetos com mais de 1 centímetro estão a orbitar a Terra. E cerca de 50 mil têm mais de 10 centímetros, sendo largos o suficiente para destruir um satélite funcional em caso de embate.

O número “incontável” de fragmentos continuam a movimentar-se, sendo na maior parte das vezes indetetáveis até ser demasiado tarde. A agência diz que a quantidade de lixo espacial em órbita continua a crescer rapidamente, sendo que 40 mil destes objetos são rastreados pelos sistemas das redes de vigilância espacial, entre eles 11 mil são “payloads” ativas. A explosão do foguetão chinês Long March 6A em agosto de 2024 colocou em órbita cerca de 700 novos fragmentos.

ESA reúne na Alemanha cientistas e engenheiros para debater o tema do lixo espacial
ESA reúne na Alemanha cientistas e engenheiros para debater o tema do lixo espacial
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De recordar que o aumento do lixo espacial está a tornar-se uma ameaça constante para a Estação Espacial Internacional, que tem realizado cada vez mais manobras de desvio para evitar colisões perigosas. Em novembro de 2024, os motores da nave russa Progress foram ativados por três minutos e meio, elevando a órbita da estação em cerca de 500 metros, de acordo com informações da Roscosmos, a agência espacial russa. A operação afastou a ISS de um fragmento de um satélite meteorológico desativado em 2015.

A ESA salienta que as aspirações espaciais futuras para a Lua começam a ficar ameaçadas, apontando a necessidade de ações para limpar o espaço, caso a gravidade forte e a atmosfera espessa não removam gradualmente esse lixo. “É preciso aplicar as lições que se aprendeu e manter a órbita lunar livre de lixo desde o início”, refere a agência.

O crescimento do número de partículas espaciais e o “síndroma de Kessler”, que na prática significa que determinadas órbitas “se tornam inseguras e inutilizáveis ao longo do tempo, à medida que os detritos continuam a colidir e a fragmentar-se, criando um efeito de cascata”, para a ESA é preciso tomar ações se a humanidade quer continuar a usar o espaço de forma segura. A agência pede práticas de mitigação de lixo entre os principais atores do sector.

Sobre aquilo que está a ser feito, aponta que obter uma melhor visão do problema no rastreamento do lixo e reportá-lo é apenas o primeiro passo para resolver. A ESA diz que estabeleceu um limite na produção de lixo nas órbitas da Terra e a Lua em todas as futuras missões, programas e atividades até 2030. E pretende com isso liderar como exemplo, procurando o apoio dos outros players.