Por Miguel Silva (*)
Atualmente, vivemos numa era em que a velocidade da informação mudou radicalmente a forma como trabalhamos. A digitalização tornou o imediato normal, e a inteligência artificial (IA) veio acelerar ainda mais essa realidade. No setor imobiliário, este impacto sente-se de forma muito clara no dia a dia dos consultores. Hoje, um cliente chega muitas vezes informado, depois de pesquisar um imóvel ou uma zona antes de falar com um profissional. Até porque, quando algo novo entra no mercado, a informação passar a estar disponível online quase de imediato.
Este contexto cria um desafio: o consultor tem de continuar a ser especialista, mesmo quando o cliente já chega informado. O verdadeiro valor que este pode ter passa a residir na capacidade de usar essa informação no momento certo, criando uma relação de confiança. É um tema que envolve tecnologia, mas, acima de tudo, pessoas e adoção da inovação.
A inovação é, por natureza, ineficiente no início. Exige a humildade de ouvir o mercado e a resiliência para mudar a abordagem a meio do caminho. No nosso setor, a tecnologia só começa verdadeiramente a funcionar quando deixa de ser uma tarefa extra e passa a ser instinto para o consultor.
E no imobiliário, isso foi particularmente visível nos últimos dez anos. Um consultor que antes trabalhava de forma tradicional teve de parar e sentar-se ao computador para registar informação e seguir processos que não faziam parte da rotina. Mas na prática a mudança só se consolidou quando ficou claro o benefício: mais visibilidade sobre os clientes, melhor definição de prioridades, decisões mais informadas e impacto direto nos resultados.
É aqui que entra a IA. Não para substituir o consultor, mas para o apoiar em todas as tarefas administrativas que podem ser repetitivas ou burocráticas. Nos dias de hoje, assistentes digitais podem estar disponíveis 24 horas, atender clientes, recolher informação e delinear próximos passos, enquanto o consultor se concentra no que realmente cria valor para com os clientes: a relação e a confiança. Assim, a IA pode ajudar na organização e pesquisa de informação, na análise do histórico dos clientes, na sugestão de abordagens personalizadas e na identificação de contactos prioritários, tornando o trabalho mais eficaz e rápido.
Ainda assim, há limites claros. O imobiliário de gama alta lida com valores de transação elevados e decisões importantes, e o futuro não poderá ser totalmente digital. A IA consegue processar dados de mil imóveis num segundo, mas não consegue ler o cliente quando encontra a casa certa. É aí, no intangível, que o consultor se torna insubstituível. Desta forma, o foco da tecnologia deve ser em automatizar processos, qualificar leads, permitindo ao consultor concentrar-se no que realmente cria valor.
A realidade é que a transformação que vivemos não é sobre ferramentas, mas sobre como usamos a inteligência artificial e a digitalização para trabalhar melhor e com mais qualidade. Relação, empatia e confiança continuam a ser os pilares diferenciadores do setor. A tecnologia existe para os reforçar, não para os substituir.
(*) Diretor de Tecnologias de Informação da Porta da Frente Christie’s International Real Estate
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