Há pouco mais de um ano, Elon Musk, fundador da SpaceX, dizia que a Lua não passava de uma distração e reforçava que o foco da empresa espacial estava em chegar a Marte e ajudar a construir uma cidade aí.

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Hoje a realidade é diferente. No último fim-de-semana, o multimilionário escolheu a rede social X para explicar a quem ainda não percebeu, que a estratégia mudou e que o foco da SpaceX está agora na Lua. Marte continua nos planos, mas passou para segundas núpcias.

A primeira prioridade da empresa espacial, que se prepara para ir para a bolsa e precisa de mostrar ambição e perspetiva de retorno de investimento aos futuros investidores, passou a ser a Lua, por uma questão de timings.

“Para quem não sabe, a SpaceX já mudou o foco para a construção de uma cidade autossustentável na Lua, pois podemos alcançar esse objetivo em menos de 10 anos, enquanto Marte levaria mais de 20 anos”, escreveu Musk na X.

Mais detalhadamente, Musk explicou que só é possível viajar para Marte quando os planetas se alinham a cada 26 meses (viagem de seis meses), enquanto podemos lançar-nos para a Lua a cada 10 dias (viagem de 2 dias). Dito isto, “podemos iterar muito mais rápido para concluir uma cidade lunar do que uma cidade marciana”.

Se qualquer projeto deste porte já nasce com uma orientação de longo prazo e nada disto era desconhecido antes, porque é que estes detalhes passaram a ser importantes? Podem ser um novo caminho para alimentar a maior fonte de receita da SpaceX - os seus satélites. Na muita informação que divulga na X, o multimilionário também disse que os contratos com a NASA apenas representam 5% da faturação da empresa especial.

A maior parte da receita vem dos serviços assegurados pela constelação Starlink. A mesma que Musk quer expandir, para dar suporte a uma nova oferta de data centers no espaço que, como dizem rumores, Musk quer acelerar para se antecipar à concorrência - que não é pouca.

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Entretanto, e como sublinha o site Space.com, os sinais de um reajustamento de planos já vinham sendo dados. No dia 2 de fevereiro a empresa publicou informação sobre a Starship, o foguetão que vai ser a estrela destas missões espaciais de “longo curso”. Nessa atualização de informação destacava-se o potencial do foguetão para missões lunares. “Graças a avanços como a transferência de propulsor no espaço, o Starship será capaz de pousar grandes quantidades de carga na Lua”, escrevia Elon Musk. “Uma vez lá, será possível estabelecer uma presença permanente para atividades científicas e de fabricação”, acrescentava, destacando a possibilidade de aproveitar os recursos lunares para fabricar satélites e lançá-los mais longe no espaço.

O plano, como sempre, é ambicioso. Recorrendo a um propulsor eletromagnético de massa e à capacidade de fabricação lunar, a SpaceX pode conseguir colocar entre 500 a 1000 [terawatts]/ano de satélites de IA no espaço profundo.

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Razão de sobra para rever a estratégia da SpaceX, certo? Errado, garante Elon Musk que aponta razões mais altruístas para a mudança. O empreendedor diz que a oportunidade de escalar massivamente o negócio de satélites da empresa e ainda posicionar-se numa das áreas em maior crescimento por causa da IA é só um bónus.

O que verdadeiramente terá motivado o reajuste da estratégia da Space-X é a preocupação de Elon Musk de que “uma catástrofe natural ou provocada pelo homem impeça a chegada das naves de reabastecimento vindas da Terra, causando a extinção da colónia”. Apostando primeiro da Lua, é possível criar esse backup contra catástrofes em menos de 10 anos. Se a escolha for Marte vão ser precisos mais de 20 anos.

Recorde-se que a SpaceX é um parceiro de referência da NASA no programa Artemis, que tem como meta estabelecer uma presença humana sustentável e de longo prazo na Lua. A Starship será o veículo usado para levar astronautas à Lua em 2028, se a segunda missão do programa tiver sucesso e se a própria Starship estiver em condições de o fazer. Para já os testes prosseguem, mas o caminho é longo e têm surgido indícios de que pode haver atrasos.

A colonização de Marte mantém-se nos planos da SpaceX, mas passa a ter início previsto para daqui a cinco ou seis anos. O primeiro voo tripulado pode acontecer em 2031, prevê agora Musk. O calendário oficial inicial previa a primeira missão não tripulada da Starship a Marte este ano. O início das missões tripuladas era estimado para 2028/2029.

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