Mais de três décadas depois do seu lançamento, o telescópio espacial Hubble continua a oferecer imagens que não só impressionam, como ajudam a perceber melhor como nascem, evoluem e morrem as estrelas. A mais recente fotografia, divulgada pela ESA e pela NASA, aponta o olhar para um objeto tão belo quanto efémero: a Nebulosa do Ovo, um espetáculo de luz e poeira em plena fase final de vida de uma estrela semelhante ao Sol.

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Também conhecida como CRL 2688, a Nebulosa do Ovo está localizada a cerca de mil anos-luz de distância, na constelação do Cisne, e é apresentada como a nebulosa pré-planetária mais jovem e mais próxima alguma vez identificada. Apesar do nome, não tem qualquer relação com planetas.

As chamadas nebulosas planetárias resultam das camadas de gás e poeira expelidas por estrelas moribundas, e esta fase “pré-planetária” é apenas um breve momento de transição, que dura poucos milhares de anos numa vida estelar que se mede em milhares de milhões.

Esta é a imagem completa

Imagem da Nebulosa do Ovo divulgada pela ESA e a NASA
Imagem da Nebulosa do Ovo divulgada pela ESA e a NASA Imagem da Nebulosa do Ovo divulgada pela ESA e a NASA créditos: ESA e NASA / Hubble

O que torna esta imagem particularmente fascinante é o jogo dramático de luz e sombra. No centro da nebulosa existe uma estrela quase totalmente escondida por uma densa nuvem de poeira. Não a vemos diretamente, mas sabemos que está lá graças a dois poderosos feixes de luz que escapam por aberturas opostas na nuvem, como holofotes cósmicos. Essa luz reflete-se nas camadas de gás e poeira em redor, criando arcos concêntricos que lembram ondulações na superfície da água.

A Nebulosa do Ovo brilha, nesta fase, sobretudo por reflexão. A estrela central ainda não é suficientemente quente para ionizar o gás e fazê-lo brilhar por si próprio, como acontece nas nebulosas planetárias mais conhecidas, como a Hélice ou a Borboleta. É precisamente por isso que este momento é tão valioso para os astrónomos: permite observar o processo de ejeção de matéria enquanto as “provas” ainda estão frescas.

Veja as melhores imagens captadas pelo Hubble

Os padrões quase perfeitos captados pelo Hubble sugerem que não estamos perante uma explosão violenta, como uma supernova, mas sim uma sequência organizada de episódios de perda de matéria. As formas dos lóbulos e dos arcos apontam para interações gravitacionais complexas, possivelmente com uma ou mais estrelas companheiras escondidas no interior do disco de poeira. Além disso, fluxos rápidos de hidrogénio molecular quente emergem da região central, visíveis em infravermelho e destacados a laranja na imagem.

Esta não é a primeira vez que o Hubble visita a Nebulosa do Ovo. Ao longo das últimas décadas, diferentes instrumentos do telescópio foram revelando novas camadas de detalhe. A imagem agora divulgada combina dados recolhidos ao longo de vários anos e oferece a visão mais nítida de sempre desta estrutura delicada. Ao comparar imagens separadas por mais de uma década, os cientistas conseguem estudar como pequenas estruturas evoluem no tempo, afinando os modelos que descrevem o fim da vida das estrelas semelhantes ao Sol.

Mais do que um simples retrato cósmico, a Nebulosa do Ovo lembra-nos que os átomos que hoje compõem planetas como a Terra nasceram em estrelas antigas. Ao libertarem poeira rica em carbono para o espaço, estrelas como esta semearam futuras gerações de sistemas planetários.

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