Por Patrícia Espadaneira (*)
Durante muito tempo, a expressão “ainda tens muito a aprender” foi utilizada como correção ou advertência. Atualmente, num mercado de trabalho em permanente transformação, marcado pela aceleração tecnológica, pela digitalização dos processos e por elevados níveis de rotatividade, particularmente no setor tecnológico, a aprendizagem deixou de ser um tema secundário na gestão de pessoas para se tornar um dos seus pilares centrais.
No entanto, a aprendizagem continua a ser, frequentemente, tratada como uma resposta pontual a necessidades imediatas, e não como um compromisso estrutural com o futuro. Aprende-se para colmatar falhas ou acompanhar tendências, quando o verdadeiro desafio consiste em assumir a aprendizagem como uma mentalidade contínua, integrada na identidade profissional de cada pessoa e na cultura das organizações.
Nos últimos anos, a automação, as plataformas digitais de formação e a inteligência artificial aplicada ao recrutamento e ao desenvolvimento de talento trouxeram ganhos claros de eficiência e transparência. Contudo, tornou-se igualmente evidente que nenhuma tecnologia cria, por si só, uma cultura de aprendizagem.
Quando a aprendizagem é percecionada como desconectada do trabalho real, das aspirações individuais ou das diferentes fases da carreira, transforma-se rapidamente num exercício burocrático. É neste contexto que a abordagem baseada em competências ganha particular relevância, ao deslocar o foco dos cargos para as competências individuais, permitindo uma visão mais dinâmica do talento, valorizando não apenas o que cada pessoa faz hoje, mas também o potencial que pode desenvolver no futuro.
Algumas organizações têm respondido a este desafio, criando estruturas internas de aprendizagem que procuram ir além da lógica tradicional da formação. Neste contexto, a Finsolutia Academy destaca-se, também, como um exemplo de um ecossistema orientado para a aprendizagem contínua, desenhado a partir da auscultação interna e da adaptação dos conteúdos às necessidades e competências reais de cada pessoa.
A tecnologia tem, naturalmente, um papel relevante neste caminho, mas é importante não confundir meios com fins. Automatizar processos não equivale à criação de cultura, e nenhuma plataforma substitui a responsabilidade das lideranças em legitimar o tempo para aprender, incentivar a curiosidade e aceitar o erro como parte do crescimento.
Assumir que ainda temos muito a aprender não é, por isso, uma fraqueza, mas um posicionamento claro num mundo em permanente mudança. Num contexto em que a retenção de talento é, cada vez mais, desafiante, a formação interna deixa de ser um benefício e passa a ser um fator estrutural. As pessoas ficam onde sentem que aprendem e, felizmente, ainda temos mesmo muito a aprender.
(*) Diretora ibérica de People & Culture da Finsolutia
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