Por Raúl Sanahuja (*)
A sustentabilidade deixou de ser apenas um valor aspiracional para se tornar um eixo estruturante na forma como os espaços são pensados, produzidos e experienciados. No setor hoteleiro, tradicionalmente marcado por ciclos frequentes de renovação e elevado consumo de materiais, começam a emergir novas abordagens que procuram equilibrar estética, conforto, funcionalidade e responsabilidade ambiental.
Neste contexto, diferentes iniciativas e projetos-piloto ajudam a ilustrar uma mudança de paradigma: a passagem de um modelo de consumo linear para uma lógica de economia circular aplicada ao design de interiores, onde a impressão digital sustentável e os materiais reciclados passam a integrar a narrativa criativa dos espaços.
A aplicação dos princípios da economia circular ao design hoteleiro representa uma transformação estrutural. Mais do que reutilizar materiais, trata-se de repensar processos, cadeias de valor e decisões criativas desde a origem do projeto. Estas abordagens nascem dessa lógica de continuidade e evolução conceptual, transportando para o interiorismo os princípios que já vinham a ser explorados noutras áreas criativas, como a moda e os têxteis. O foco deixa de estar apenas no objeto final e passa para todo o ecossistema de produção: origem dos materiais, processos de transformação, impacto ambiental, durabilidade e reutilização futura.
A remodelação de espaços como a zona de pequeno-almoço do ibis Styles Marquês de Pombal, em Lisboa, ou o terraço interior do ibis Styles Bogatell Barcelona City, em Barcelona, graças ao projeto Rethink your style, funciona como laboratório de experimentação prática destas ideias. Em ambos os casos, os projetos foram desenvolvidos por estudantes de escolas de design, reforçando também a dimensão educativa e de investigação aplicada ao design sustentável.
A impressão digital de grande formato surge aqui não apenas como uma tecnologia de produção, mas como uma ferramenta estratégica de transição ecológica. A sua aplicação em design de interiores permite reduzir consumos de água e energia face a processos tradicionais, minimizar desperdícios através de produção sob demanda, aumentar a flexibilidade criativa e a personalização e trabalhar sobre novos substratos sustentáveis e reciclados. Tecnologias como a impressão têxtil digital por injeção de tinta, a sublimação e a utilização de vinis livres de PVC demonstram como a inovação tecnológica pode ser integrada em modelos de produção mais responsáveis, sem comprometer qualidade visual, durabilidade ou identidade estética. Mais do que uma questão técnica, trata-se de uma mudança cultural: a impressão deixa de ser apenas um meio de reprodução gráfica e passa a ser parte ativa da estratégia ambiental e conceptual dos projetos.
Um dos aspetos mais relevantes deste tipo de projetos é o modelo colaborativo. Designers, escolas, produtores têxteis, técnicos de impressão, fabricantes de materiais e especialistas em economia circular trabalham de forma integrada, criando um verdadeiro ecossistema de inovação.
Esta lógica de rede substitui o modelo tradicional de cadeias de produção isoladas por sistemas colaborativos, onde conhecimento, recursos e competências são partilhados. O resultado são soluções mais coerentes, sustentáveis e tecnicamente viáveis.
Estas abordagens afirmam-se, assim, não como projetos fechados, mas como exemplos de tendência: uma nova forma de pensar os espaços hoteleiros, onde tecnologia, design e sustentabilidade deixam de ser áreas separadas e passam a constituir uma única linguagem integrada.
(*) Press e Social Media Manager da Epson para Portugal e Espanha
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