No ano que há pouco terminou, as vendas de smartphones cresceram 1,9% para um total de 1,26 mil milhões de unidades. A expectativa de aumentos de preços em 2026 acelerou planos de compra de equipamentos, bem como a procura de equipamentos de gama alta e de modelos dobráveis. Num ano que foi agitado, as contas dos últimos três meses de 2025 foram cruciais para os números finais e para as contas dos dois principais fabricantes deste mercado.

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“O quarto trimestre de 2025 foi um trimestre notável tanto para a Apple como para a Samsung. Consolidaram as suas posições no mercado dos smartphones, impulsionando vendas fortes no segmento premium e atingindo os preços médios de venda (ASP) mais elevados de sempre”, sublinha Francisco Jerónimo, vice-presidente da IDC para a área Worldwide Client Devices, na nota que divulga os resultados preliminares do trimestre.

A Samsung conseguiu nestes três meses o seu melhor quarto trimestre desde 2013 e a Apple não tinha um volume de vendas tão bom no mesmo período desde 2021 e nunca tinha faturado tanto num trimestre. A fabricante sul-coreana recolheu os louros da maior procura de dobráveis, com o seu Galaxy Z Fold 7 a brilhar na quadra natalícia, mas também graças à elevada procura dos modelos Galaxy A com capacidades de IA, a série de gama média. A Apple arrebatou com o iPhone 7 e em simultâneo recuperou o impulso de vendas na China.

Preços dos smartphones vão disparar em 2026 devido à crise na produção de memórias
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Mesmo num ano ensombrado pela ameaça de tarifas de importação nos Estados Unidos, problemas nas cadeias de distribuição e um ambiente macroeconómico envolvido em muita incerteza, três dos cinco maiores fabricantes de smartphones conseguiram aumentar o número de unidades vendidas.

Na verdade, a Samsung embora tenha perdido a liderança do mercado (segundo os critérios de análise da IDC - vendas em loja - já em 2023, segundo outras métricas - remessas, por exemplo - apenas em 2025) até aumentou mais o número de unidades vendidas do que a Apple. A vivo conseguiu igualmente aumentar vendas, em 2,7%. A Xiaomi e a Oppo diminuiram.

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Como assinala Nabila Popal, diretor e analista sénior Worldwide Client Devices da IDC, “curiosamente, os fornecedores premium Apple e Samsung foram os principais impulsionadores de crescimento, registando as maiores taxas entre os cinco primeiros, com 6,3% e 7,9%, respectivamente”.

Recorde-se que há um ano, as mesmas empresas tinham perdido quota para a concorrência, sobretudo a favor dos fabricantes chineses. Agora a quota combinada da Apple e da Samsung aumentou dois pontos percentuais, passando de 37% no ano passado para 39%, o que “reforça a tendência de ‘premiunização’, à medida que os consumidores se inclinam cada vez mais para dispositivos de gama alta”, sublinha a IDC.

A consultora já tinha antecipado e volta a reforçar nesta análise que 2026 será um ano mais desafiante no mercado de telemóveis, em larga medida por causa da crise das memórias, alimentada pela enorme procura destes componentes para data centers. Os maiores fabricantes e aqueles que têm mais influência, tendem a ser aqueles que melhores condições têm para conseguir satisfazer as suas necessidades e absorver os custos mais elevados, mesmo com o esperado aumento de preços para os clientes.

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