A quebra de representatividade das mulheres no sector das tecnologias é acompanhado por Portugal, onde é reconhecido um desalinhamento entre formação STEM e a presença no setor tecnológico. O estudo Women in Tech and AI in Europe: Can the region close its gender gap?, da McKinsey & Company analisa a evolução da representação feminina no setor tecnológico europeu e o impacto da IA na redistribuição de funções e liderança no conjunto dos 27 países.
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Apesar de existir um aumento na participação feminina em cursos STEM (acrónimo para Science, Technology, Engineering e Mathematics - Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), essa evolução não se traduz numa presença proporcional no mercado de trabalho tecnológico. As mulheres representam 33% das licenciaturas e 39% dos doutoramentos nestas áreas, mas a ligação com o emprego em tecnologia enfraqueceu, com a representação feminina em funções tecnológicas a cair para os 19%.
“Num momento em que a Europa procura acelerar a sua competitividade em inteligência artificial, não mobilizar plenamente o talento feminino representa um risco estratégico”, afirma Rita Calvão, sócia associada da McKinsey
Acrescenta ainda que “fechar o gap de género na tecnologia não é apenas uma agenda de equidade, é uma questão de capacidade de inovação, de liderança e de governação num contexto em que a IA vai redefinir cadeias de valor inteiras".
Segundo os dados apresentados, apenas 13% dos cargos de gestão em tecnologia são ocupados por mulheres, percentagem que desce para 8% em cargos de direção e c-level. O estudo indica que a maior quebra ocorre entre o nível de entrada e a primeira função de liderança, o que indica uma perda significativa de talento feminino nas fases iniciais da progressão de carreira.
IA pode ter efeito estrutural no emprego feminino
O relatório alerta ainda para um efeito estrutural da inteligência artificial na redistribuição de funções, lembrando que as mulheres estão sobre representadas em áreas como gestão de produto (39%) e design (53%), que são apenas uma pequena fração da força de trabalho tecnológica e onde a procura tem vindo a diminuir com a automação de tarefas. Por outro lado, o crescimento concentra-se em áreas como IA, dados, infraestrutura e engenharia de software, onde a representação feminina continua significativamente inferior.
A análise da McKinsey indica ainda que "esta transformação não se limita às funções, mas estende-se ao próprio perfil de competências exigidas". 17% das competências atuais podem tornar-se predominantemente automatizadas pela IA, 72% passarão a ser desempenhadas em modelo híbrido, combinando trabalho humano e tecnologia, e apenas 11% permanecerão exclusivamente centradas nas pessoas, referem os dados.
"A redistribuição do valor para funções mais técnicas e híbridas reforça a necessidade de preparar o talento para funções de supervisão, governação e decisão estratégica", adianta ainda a mesma fonte.
As barreiras que ampliam o gap de género foram identificadas como a sub-representação estrutural nas áreas técnicas de maior crescimento, a automação de funções onde as mulheres estão mais concentradas e a persistência de barreiras culturais e organizacionais. 49% das mulheres reportaram experiências de preconceito ou discriminação no último ano e 82% referem que precisam de provar mais as suas competências do que os seus pares homens.
"Fechar o gap de género na tecnologia não é uma agenda paralela, mas uma alavanca estratégica para fortalecer a competitividade europeia em IA", refere o estudo.
Empresas que adotem uma abordagem integrada, combinando cultura organizacional, requalificação técnica e modelos operacionais inclusivos, podem responder responder à escassez de talento e reforçar a diversidade na liderança tecnológica.
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