Contratar um profissional estrangeiro para trabalhar nos Estados Unidos nunca foi uma tarefa simples. O processo envolve centenas de páginas de documentação, envios físicos por correio e honorários jurídicos que podem facilmente ultrapassar os vários milhares de dólares por candidatura. Mas agora, numa altura em que o ambiente político americano tornou tudo ainda mais difícil e dispendioso, surge uma proposta que promete aliviar tanto as empresas como os próprios candidatos.
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A Ellis, um escritório de advocacia especializado em imigração acaba de lançar um serviço de subscrição potenciado por inteligência artificial (IA) que, a partir de 2.000 dólares por mês (aproximadamente 1.700 euros), permite a startups com menos de 50 colaboradores submeter um número ilimitado de pedidos de visto de trabalho. O modelo abrange os tipos de visto mais comuns, incluindo o H-1B, o J-1 e o TN, este último destinado a trabalhadores provenientes do México e do Canadá.
A iniciativa surge num contexto particularmente adverso, uma vez que em setembro passado, o Presidente Donald Trump impôs uma taxa de 100.000 dólares (aproximadamente 85 mil euros) por cada pedido de visto H-1B, o principal mecanismo que permite às empresas americanas recrutar talentos qualificados no estrangeiro. Antes desta medida, os custos de processamento situavam-se entre os 2.000 e os 5.000 dólares.
A subida abrupta das taxas levou várias empresas a repensar as suas estratégias de contratação e a abster-se de participar na lotaria anual de vistos H-1B, sendo atribuídas 85.000 autorizações por ano fiscal. Através desta proposta, a Ellis posiciona-se como uma alternativa viável neste cenário. A plataforma usa IA para automatizar partes burocráticas do processo de candidatura, que continua a ser maioritariamente manual e em papel.
Do ponto de vista dos trabalhadores, a empresa oferece ainda um painel de acompanhamento em tempo real do estado das candidaturas, bem como uma calculadora de probabilidades de sucesso na lotaria H-1B. Segundo a Ellis, a taxa de aprovação tem rondado os 99,4%. Este modelo de negócio representa uma mudança significativa para uma empresa de advocacia, que tendencialmente cobra entre 2.500 e 12.000 dólares por candidatura, dependendo do tipo de visto, ao qual se junta a taxa governamental que terá sempre que ser paga.
Para startups com orçamentos limitados, esta previsibilidade de custos garantida pelo serviço automatizado pode ser determinante. Os especialistas alertam, contudo, que esta solução não resolve todos os problemas, e que as medidas restritivas da administração americana têm consequências que vão além do controlo das fronteiras dos EUA. Estudos recentes indicam que, quando as empresas encontram dificuldades em contratar talento através do H-1B, tendem a deslocalizar operações para países como o Canadá ou a Índia, levando consigo empregos e conhecimento especializado.
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