Um estudo publicado na revista Nature conclui que o algoritmo da rede social X priveligia conteúdos de direita, conservadores, e que há um ajuste nas perceções dos utilizadores sobre assuntos específicos influenciados pelo algoritmo.
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A investigação não conseguiu concluir que o sistema tem um efeito direto nas posições políticas das pessoas, como relata o El País, que detalha as conclusões da pesquisa. Por outro lado, verificou que a plataforma tende a sugerir mais contas de pessoas ligadas à direita conservadora aos utilizadores que recebem esta informação personalizada e a mostrar menos conteúdo de media tradicionais.
A análise acompanhou a experiência na rede social de quase 5000 utilizadores da X nos Estados Unidos, ao longo de sete semanas, seis meses depois de Elon Musk ter comprado a rede social durante o verão de 2023.
A equipa de investigadores de França, Itália e Suíça observaram utilizadores que passaram a usar a opção de personalização do feed de notícias da X e utilizadores que recebem informação de forma “normal” por ordem cronológica.
Os utilizadores do primeiro grupo foram aumentando as opiniões conservadoras à medida que passaram mais tempo com o feed personalizado, revelou a análise aos conteúdos públicos por estes utilizadores e aos conteúdos com que interagiram. Utilizadores que passaram deste feed para o feed “normal”, não deram sinais de moderar os seus pontos de vista, mas passaram a ter interações mais irrelevantes.
Os dados obtidos chegam para os autores concluírem que os algoritmos das redes sociais moldam as atitudes políticas e para considerarem que esse efeito se mantém, mesmo que a exposição passe a ser menor ao fim de algum tempo.
Como destaca um investigador citado pelo El País, isto não significa que a rede social influencie pessoas a mudar de partido. Tem mais a ver com posições políticas sobre temas polémicos do dia-a-dia. Não que outros efeitos tenham de ser excluidos, o âmbito reduzido do estudo é que não permite lá chegar.
Os investigadores lembram, ainda assim, que para muitos utilizadores as redes sociais passaram a ser a principal, e às vezes a única fonte de informação, o que agrava os riscos da influência dos algoritmos quando ela é marcada por desinformação ou polarização.
Também sublinham que os dados compilados foram obtidos num período limitado de tempo e por isso não devem ser extrapolados para conclusões a longo prazo. A pesquisa só envolveu a X, e como tal as conclusões também não devem ser generalizadas a outras redes sociais.
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