Quando, em 2016, milhões de pessoas saíram à rua com o telemóvel na mão à caça de Pokémon, dificilmente imaginavam que estavam simultaneamente a construir um dos maiores arquivos fotográficos alguma vez reunidos. A Niantic, criadora do Pokémon GO, aproveitava cada imagem e vídeo captados pelos jogadores para mapear ruas, edifícios, monumentos e pontos de referência em cidades de todo o mundo. Agora, esse esforço coletivo está a ser utilizado para treinar robots de entrega de encomendas e de refeições.
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A Niantic Spatial, divisão de inteligência artificial (IA) da empresa, anunciou uma parceria com a Coco Robotics para otimizar a frota de robots autónomos da startup norte-americana. O objetivo é utilizar os dados de realidade aumentada recolhidos pelos jogadores para alimentar um sistema de posicionamento visual (VPS), capaz de identificar a localização de um robots com base no ambiente que o rodeia, em vez de depender exclusivamente do sinal de GPS.
A lógica, segundo a própria Niantic Spatial, é mais simples do que parece. Segundo esta, "fazer o Pikachu correr de forma realista e fazer o robots da Coco mover-se com segurança e precisão pelo mundo é, na verdade, o mesmo problema." Em ambos os casos, o trabalho exigido requer associar um elemento, virtual ou físico, ao espaço real com a maior precisão possível.
Esta solução é especialmente relevante nas cidades, onde o GPS falha com frequência. Brian McClendon, diretor técnico da Niantic Spatial, resumiu o problema numa entrevista ao MIT Technology Review: "O desfiladeiro urbano é o pior lugar do mundo para o GPS." Os edifícios altos refletem e interferem com os sinais de rádio, tornando a navegação errónea precisamente nos locais onde os robots de entrega mais necessitam dessa precisão adicional.
Ao longo dos anos, os jogadores foram captando imagens e vídeos de PokéStops, ginásios e pontos turísticos, contribuindo para construir modelos tridimensionais detalhados de inúmeras cidades. O sistema foi sendo reforçado com missões que incentivavam os jogadores a explorar e a digitalizar ambientes em troca de recompensas no jogo, o que, na prática, acelerou a recolha de dados e aumentou a qualidade do mapeamento urbano.
A Niantic afirma ter sido totalmente transparente quanto à recolha destes dados, garantindo que as condições estavam explicitas nas políticas da aplicação. Ainda assim, poucos utilizadores terão associado o ato de fotografar uma estátua para ganhar pontos no jogo à ideia de estarem a contribuir para o treino de sistemas de IA com aplicações comerciais.
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