Um grupo de investigadores liderado pelo professor do MIT, Andres Sevtsuk, do departamento de estudos urbanos e planeamento, construiu aquele que é considerado o primeiro modelo completo da atividade pedestre na cidade de Nova Iorque. O modelo regista todo o tráfego dos movimentos das pessoas nos passeios, quando atravessam a estrada, assim como rasto deixado nos períodos de maior atividade.
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A cidade é considerada muito ativa no que diz respeito à circulação de pedestres, com uma atividade de 41% em comparação com as viagens de automóvel (28%), refere o Fast Company. E estima-se que em 2050, 80% das deslocações possam ser feitas a pé, bicicleta ou transportes públicos. O modelo completo da atividade pedonal pode ser aplicado a qualquer cidade dos Estados Unidos e eventualmente em todo o mundo.
Os registos revelam dados que impressionaram os investigadores, na forma como as pessoas se deslocam pela cidade. Mas também são dados preciosos no que diz respeito à segurança, registando onde as pessoas são mais vulneráveis a acidentes de automóveis. Estes dados podem ser essenciais para o planeamento das cidades do país.
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Os investigadores afirmam que apesar da atividade a pé seja o modo de deslocação mais comum nas cidades, é também aquele que é menos medido, de forma sistemática, o que gera consequências diretas na forma como o espaço urbano é planeado e financiado, lê-se no estudo partilhado na Nature.
Muitas ruas nos bairros exteriores, como a Bronx, Staten Island, e regiões de Brooklyn e Queens apresentam níveis de tráfego pedonal semelhantes aos de Manhattan, mas continuam classificadas como vias de baixa prioridade para peões. Este desfasamento sugere também injustiças no investimento em infraestrutura pedonal, já que zonas com grande movimento continuam subvalorizadas.
Ao ligar os volumes de pedestres com os dados de acidentes, os investigadores afirmam que as interseções com maior risco de perigo não estão em Manhattan, mas sim nos bairros exteriores. A investigação demonstra ainda que a análise do volume de pedestres pode revelar padrões escondidos de acessibilidade, desigualdade e risco, que podem ajudar no planeamento das cidades no futuro.
É referido que o financiamento que a Administração Federal de Autoestradas concede às infraestruturas de transportes tem como base as milhas que os veículos viajam no respetivo Estado. E nesse sentido, quantas mais pessoas conduzirem carros, mais financiamento esse Estado recebe. Pretende-se aplicar o conceito aos pedestres, ou seja, se as cidades tiverem a capacidade de contar o número de circulação na rua, poderiam direcionar mais fundos para as infraestruturas relacionadas com as pessoas.
Infelizmente, para os investigadores, existe um lobby na indústria automóvel e como não existe forma de monetizar as deslocações a pé, não existem esforços para recolher os dados de circulação.
No caso da análise a Nova Iorque, ruas como a Broadway e a quinta avenida são corredores importantes, mas o modelo criado mostra que 26 ruas de bairros exteriores têm mais volume de pedestres do que 75% dos considerados como “corredores globais”. Mas são categorizados como de baixo nível, baseado em assunções e vieses, e portanto, não recebem o mesmo nível de tratamento.
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