O financiamento foi comunicado pela Agência Nacional de Inovação (ANI), que a partir de 1 de janeiro passou a integrar a AI², a Agência para a Investigação e Inovação, e reforça a aposta de Portugal nos semicondutores, com o financiamento da operacionalização de dois projetos estratégicos. A apoio de 6,4 milhões de euros vai permitir assegurar o cofinanciamento nacional da participação portuguesa em projetos europeus aprovados no âmbito da Parceria Europeia Chips Joint Undertaking (CHIPS JU), instrumento central do European Chips Act.

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Em dezembro a  ANI anunciou a publicação de dois Avisos Convite no âmbito da implementação da Estratégia Nacional para os Semicondutores, e agora dá conta da atribuição do financiamento para a operacionalização de dois projetos estratégicos, liderados a nível nacional pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) e pelo Instituto de Telecomunicações (IT).

Segundo o comunicado, "esta iniciativa é um passo decisivo na execução da Estratégia Nacional para os Semicondutores, consolidando a capacidade do país em responder aos mais exigentes desafios tecnológicos globais". António Grilo, Presidente da Agência Nacional de Inovação, sublinha que "ao apoiar o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia e o Instituto de Telecomunicações, estamos a reforçar capacidades científicas e infraestruturas críticas que posicionam Portugal como um parceiro relevante na cadeia de valor europeia dos semicondutores, com impacto direto na inovação, na competitividade e na autonomia estratégica da Europa".

À procura de um ecossistema com mais talento para a indústria de semicondutores em Portugal
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Numa altura em que a Europa procura maior independência na produção de chips, sobretudo devido à forma como medidas políticas estão a afetar o fornecimento de semicondutores, esta á uma área cada vez mais importante para a soberania tecnológica.

O sector conta com mais de 30 anos de desenvolvimento em Portugal e várias empresas e laboratórios a investir no desenvolvimento da indústria de semicondutores, para além de empresas internacionais que fixaram investimentos em território nacional. Um encontro recente, promovido pela Ciência Viva e a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência mostrou que o ecossistema está a desenvolver-se e que existe a oportunidade para que Portugal possa assumir um papel relevante na estratégia de semicondutores da Europa, embora se reconheçam as dificuldades, a falta de recursos e capacidade de fixação de talento.

APECS e PIXEurope: 2 projetos de desenvolvimento com intervenção portuguesa

A informação partilhada pela ANI dá conta de que os projetos apoiados estão inseridos no Pilar 1 - Iniciativa para os Circuitos Integrados para a Europa. O foco é o desenvolvimento de linhas piloto, plataformas de design avançado, integração e packaging de chips, áreas consideradas críticas para o reforço da autonomia estratégica europeia e para a consolidação da posição de Portugal na cadeia de valor dos semicondutores.

No INL, o financiamento "suporta a participação no projeto europeu relativo à Linha Piloto focado em packging avançado e integração heterogénea de componentes eletrónicos, reforçando as infraestruturas e competências nacionais em áreas críticas da microeletrónica".

Clívia Sotomayor Torres, Diretora-geral do INL, explica que o “a APECS, linha piloto de encapsulamento avançado e integração heterogénea de componentes e sistemas eletrónicos, é uma iniciativa instituída pelo Chips Act da União Europeia, reunindo dez parceiros sob a liderança da Fraunhofer Society for the Advancement of Applied Research (FhG GmbH, Alemanha), entre os quais o INL". Esta iniciativa "presta serviços e formação para apoiar as empresas a integrar e encapsular chiplets em novos sistemas eletrónicos, reforçando assim as capacidades europeias em encapsulamento avançado”.

“No INL estão a ser investidos cerca de 19 milhões de euros, aproximadamente metade proveniente de fundos nacionais e metade de programas europeus, para expandir a capacidade em integração de chiplets {blocos modulares de circuitos integrados] e encapsulamento avançado, em consonância com a estratégia portuguesa para os semicondutores", adianta ainda Clívia Sotomayor Torre.

As iniciativas complementares, como a POEMS, o centro de competências português para os semicondutores, são indicadas como "cruciais para conectar as empresas às linhas piloto e para reforçar o papel de Portugal no ecossistema europeu de semicondutores”.

O projeto apoiado no Instituto de Telecomunicaçõe assegura a participação portuguesa no PIXEurope, o consórcio europeu da Linha Piloto dedicada ao desenvolvimento de circuitos fotónicos integrados avançados, com impacto direto na capacitação científica, tecnológica e industrial do país.

“O projeto PIXEurope reúne institutos de investigação de referência para implementar a primeira linha piloto completa e de acesso aberto, fundamental para reforçar a soberania tecnológica europeia na área dos circuitos óticos integrados, permitindo a fabricação em larga escala de circuitos óticos integrados para comunicações, sensores e computação avançada”, sublinha José Carlos Pedro, Presidente do Instituto das Telecomunicações.

Através do PIXEurope Português, apoiado pela CHIPS JU e pela ANI, o Instituto de Telecomunicações poderá promover o apoio a startups nacionais e europeias no domínio da prototipagem e testes de circuitos óticos integrados.

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