O debate sobre a integração tecnológica nas instituições de ensino atingiu um novo patamar de tensão com a publicação de um manifesto (disponível aqui) que defende a proibição total da inteligência artificial (IA) generativa nas universidades portuguesas.
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Subscrito por diversas personalidades do mundo académico, o documento levanta um alerta severo sobre as consequências cognitivas do uso desenfreado destas ferramentas, sugerindo que a dependência tecnológica está a transformar os estudantes naquilo que os autores classificam como "cretinos digitais", e que há uma incapacidade generalizada de “identificar com rigor práticas académicas fraudulentas”.
Este termo polémico serve para ilustrar uma crescente incapacidade de reflexão profunda e a erosão do pensamento crítico original, uma vez que a facilidade na obtenção de respostas automatizadas substitui o esforço intelectual necessário para a aprendizagem real. Os signatários argumentam que a universidade deve permanecer como um espaço de resistência contra a mecanização do pensamento, sublinhando que a IA não atua apenas como um auxiliar, mas como um perigoso substituto que compromete a integridade académica.
Ao delegar a escrita de ensaios ou a resolução de problemas complexos a algoritmos, o aluno abdica da sua capacidade analítica, resultando numa formação superficial que poderá ter impactos irreversíveis na qualidade dos futuros licenciados e mestres. O movimento defende, por isso, um regresso aos métodos tradicionais de avaliação e de estudo, onde o contacto direto com o conhecimento e a produção intelectual humana sejam protegidos de interferências digitais que, embora eficientes, são vistas como desprovidas de consciência e de verdadeiro valor pedagógico.
Esta tomada de posição surge num momento em que a maioria das instituições de ensino ainda tenta adaptar-se à realidade do ChatGPT e de outros modelos de linguagem. Enquanto algumas correntes pedagógicas defendem a literacia algorítmica e a coabitação com a tecnologia, este manifesto propõe um corte radical, alegando que o deslumbramento tecnológico está a cegar as autoridades educativas para um processo de desumanização do ensino.
No fundo, o apelo é para que se devolva à academia o seu papel fundamental de formação de cidadãos pensantes, em vez de meros operadores de sistemas, garantindo que o diploma universitário continue a atestar uma competência intelectual genuína e não apenas a perícia na utilização de comandos da IA.
Notícia atualizada - Inserido o link para o acesso ao manifesto.
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