O programa europeu de observação espacial Copernicus divulgou imagens de satélite que documentam a extensão dos danos causados pelas sucessivas tempestades que assolaram Portugal durante o mês de fevereiro. As imagens captadas pelos satélites Sentinel-2 revelam com precisão as áreas inundadas após as tempestades Kristin e Leonardo.

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As imagens captadas demonstram as consequências da tempestade Kristin na costa portuguesa, revelando a dimensão das ondas a atingirem a costa, assim como toda a sedimentação suspensa na água do mar, visível com as cores mais claras na imagem. Esta sedimentação resulta da combinação da força do mar a embater na costa, na remoção de areia das praias, assim como de toda a água acumulada durante as inundações que acaba por desaguar até ao mar.

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Copernicus Impacto da tempestade Kristin na costa de Peniche

Em termos de áreas inundadas, estas estão perfeitamente marcadas em tons castanho na zona da Albufeira de São Domingos, assim como na zona da Lagoa de Óbidos. A capacidade do Copernicus de fornecer mapeamento rápido da extensão das inundações revelou-se crucial para apoiar as operações de emergência e na identificação rápida das comunidades afectadas. Este último ponto foi particularmente importante, se tivermos em conta a inexistência de energia eléctrica e de comunicações durante os dias seguintes à passagem da Kristin.

Já a tempestade Leonardo, que trouxe chuva intensa e persistente nos dias seguintes à depressão Kristin, apanhou já os solos saturados e os sistemas hídricos sobrecarregados. Esta tempestade veio intensificar as inundações nas áreas anteriormente afectadas, e causar novos estragos. O Serviço de Gestão de Emergências do Copernicus foi activado para mapear as zonas inundadas ao longo do rio Tejo até à zona da Reserva Natural do Estuário do Tejo. Uma das zonas mais afectadas, Salvaterra de Magos, registou mais de 64 mil hectares inundados.

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Copernicus Impacto das inundações nas regiões em torno do Rio Tejo, logo após a passagem da tempestade Leonardo.

Mas além das tempestades em Portugal, o sistema Copernicus documentou todo o tipo de impactos climáticos globais. Nas ilhas Canárias, de Lanzarote e de Fuerteventura, as imagens captadas pelo satélite Sentinel-2 registaram uma transformação dramática. Comparativamente aos registos de janeiro de 2025 e ao registos de janeiro de 2026, é possível observar a superfície das ilhas a mudar os tons ocre característicos de condições de seca para um verde vibrante após uma precipitação recorde. Desta forma, ficou claro o impacto que eventos climáticos extremos têm, que são capazes de alterar padrões de vegetação, mesmo em regiões tradicionalmente áridas.

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Copernicus Transformação de zonas áridas por zonas verdes, fruto da precipitação recorde nas ilhas Canárias.

Também em Moçambique, as imagens de satélite revelam a escala catastrófica das cheias que têm ocorrido desde o início de 2026 na região central e sul daquele território. Uma imagem de "cor falsa" captada a 29 de janeiro mostra a região do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo, na província de Gaza, severamente inundada, com aproximadamente 290 mil hectares submersos. Segundo a UNHCR, as cheias forçaram mais de 392 mil pessoas a abandonar as suas casas. A capital da província, Xai-Xai, aparece claramente inundada nas imagens ampliadas, com uma pluma ao largo a marcar água carregada de sedimentos a entrar no Oceano Índico.

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Copernicus Cheias na região sul de Moçambique, com mais de 290.000 hectares de terras inundadas, incluindo a cidade de Xai-Xai, capital da província de Gaza.

O programa Copernicus, operado pela União Europeia em parceria com a Agência Espacial Europeia, constitui um dos sistemas de observação da Terra mais avançados do mundo. Através da constelação de satélites Sentinel, fornece dados cruciais para monitorização ambiental, gestão de desastres e compreensão das alterações climáticas.

A capacidade de obter imagens independentemente das condições meteorológicas permite resposta rápida a emergências e planeamento estratégico. Os dados obtidos são disponibilizados gratuitamente, permitindo que governos, organizações humanitárias e investigadores utilizem as informação de satélite para tomar decisões informadas durante crises e estudar padrões climáticos que afectam o planeta.

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