O vício de utilizar o smartphone ou tablet para ver um filme ou conteúdos online na hora de deitar e dormir pode ser prejudicial para o sono. Mas isso não significa que tenha de cortar de raiz com os conteúdos digitais, até porque muitos utilizadores adormecem ao som de música ou a ouvir um podcast. Para cortar com os efeitos negativos do brilho dos ecrãs quando está prestes a adormecer, um grupo de investigadores da Universidade de Glasgow criou uma almofada inteligente, capaz de reproduzir conteúdos de áudio, procurando ser uma alternativa mais relaxante que o habitual “scroll” dos ecrãs.

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A equipa de investigadores criou um protótipo da almofada capaz de reproduzir música, podcasts e até audiobooks para consumir deitado, enquanto espera o sono chegar. A almofada integra um altifalante e sensores táteis, que no fundo são colocados dentro de uma almofada convencional. A ideia é que o utilizador interaja de forma intuitiva com os conteúdos de “olhos fechados”, através do toque, pressão ou mesmo abraçando a almofada. O objetivo é substituir o scroll por uma interação mais suave, bem mais compatível com o ritual do adormecer.

A almofada tem um design inspirado na cara de um gato, mas mais que estética tem um propósito: orientar o utilizador no escuro através das texturas táteis. Assim, nas orelhas estão colocados os sensores para poder alternar entre as faixas de áudio, a sua testa pode ser usada como o botão de reprodução ou pausa. Os sensores também têm sensibilidade à pressão, o que evita ativações acidentais durante o sono. Afinal não vai querer dar um salto da cama porque ao virar-se ativou uma música de metal.

Almofada inteligente promete substituir o brilho dos ecrãs na hora de dormir
Almofada inteligente promete substituir o brilho dos ecrãs na hora de dormir créditos: Universidade de Glasgow

Segundo a doutora Xianghua ‘Sharon’ Ding, da Universidade de Glasgow, “o tempo de ecrã antes de dormir pode ter impactos negativos na qualidade do sono das pessoas. A investigação mostrou que pode atrasar o início do sono, deixando-as mais cansadas no dia seguinte e aumentando as probabilidades de desenvolver problemas de saúde física e mental”. Por outro lado, também defende que o consumo de conteúdos digitais antes de dormir pode satisfazer necessidades emocionais das pessoas, por isso é que os smartphones são utilizados para aceder a conteúdos que ajudam a descomprimir, relaxar e aceder a um tempo pessoal antes de dormir, avança a publicação universitária.

Paralelamente à almofada, a equipa criou uma aplicação que permite aos utilizadores escolherem o que querem ouvir quando se deitam, numa seleção de música, podcasts, audiobooks ou notícias. Os conteúdos da aplicação são reproduzidos por stream diretamente da almofada. Inicialmente, o design da almofada permitia duas funções ligadas ao abraço da almofada, o ligar e desligar o áudio. Mas com o tempo, a almofada foi ganhando personalidade e mais funcionalidades, até ao formato final do gato.

O protótipo foi testado por 16 voluntários que participaram em sessões de design, dando feedback e sugestões diretas aos investigadores. Muitos dos participantes apontaram a almofada aos brinquedos de infância e animais de estimação, ajudando a aumentar a sensação de conforto. Outras sugestões para futuros modelos estão listadas propostas para diferentes animais, sistema de fade-out gradual do áudio, a troca de feedback háptico em vez de luzes, assim como versões da almofada de corpo inteiro para quem dorme de lado.

Apesar de não ter medido diretamente a qualidade do sono, a investigação concluiu que a almofada pode reduzir distrações, assim como apoiar melhor a transição natural para o sono. Ao mesmo tempo, mantém a rotina de consumo de conteúdos digitais sem brilhos e luzes azuis nocivas dos ecrãs. A equipa procura agora parceiros para transformar o protótipo num produto comercial.

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