Numa nova nota científica, baseada nas observações feitas pela missão SPHEREx em dezembro ao cometa 3I/ATLAS, uma equipa de investigadores descreve a deteção de moléculas orgânicas, como metanol, cianeto e metano.

Os cientistas verificaram também um aumento significativo no brilho do cometa dois meses depois da sua passagem mais próxima do Sol, num fenómeno associado a cometas que libertam água, dióxido de carbono e monóxido de carbono para o Espaço.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Como explica a NASA, quando um cometa se aproxima do Sol depois de viajar pelo Espaço interestelar, a sua superfície congelada aquece e passa por um processo de sublimação, com o gelo a passar diretamente do estado sólido para gasoso, sem se tornar líquido. Estes gases podem escapar para o Espaço, formando uma atmosfera em redor do núcleo do cometa, conhecida como coma.

Carey Lisse, investigador do Johns Hopkins Applied Physics Laboratory que liderou o estudo, afirma que, em dezembro de 2025, após a sua passagem próxima do Sol, “o cometa 3I/ATLAS estava completamente em erupção no Espaço”, “fazendo com que o seu brilho aumentasse significativamente”.

NASA | SPHEREx | Cometa 3I/ATLAS
NASA | SPHEREx | Cometa 3I/ATLAS Observações feitas pela missão SPHEREx em dezembro de 2025 créditos: NASA/JPL-Caltech

Quando atingem o ponto mais próximo do Sol na sua órbita, os cometas passam por um pico de aquecimento, mas isso não significa que a atividade máxima de sublimação ocorra nesse momento.

O calor demora a penetrar nas camadas exteriores e o gelo que se encontra a maior profundidade pode começar a sublimar bem depois do cometa ter passado pelo Sol e, segundo os investigadores, este parece ser o caso do 3I/ATLAS.

3I/ATLAS: Telescópio James Webb descobre pistas surpreendentes sobre a origem do "visitante" interestelar
3I/ATLAS: Telescópio James Webb descobre pistas surpreendentes sobre a origem do "visitante" interestelar
Ver artigo

Em agosto, a missão SPHEREx já tinha observado que a coma do 3I/ATLAS continha grandes quantidades de dióxido de carbono, algum monóxido de carbono e água. As observações de dezembro mostram uma coma muito mais ativa, “alimentada” pela sublimação do gelo.

Depois de ter atravessado o Espaço interestelar e de ser “bombardeado por raios cósmicos altamente energéticos”, o cometa terá formado uma “crosta processada por essa radiação”, indica Phil Korngut, responsável pela missão SPHEREx.

“Mas, agora que a energia do Sol teve tempo para penetrar profundamente no cometa, o gelo intacto abaixo da superfície está a aquecer e a entrar em erupção, libertando uma mistura de substâncias que não tinham sido expostas ao Espaço por milhares de milhões de anos”, explica.

As observações sugerem também que material rochoso está a ser ejetado à medida que a atividade do 3I/ATLAS aumenta. O cometa parece ter apenas uma pequena cauda de poeira em formato de pera.

A NASA detalha que este tipo de cauda é formado quando a poeira de um cometa ativo é “varrida” pela pressão da radiação solar. Tal sugere que o 3I/ATLAS está a ejetar grãos e fragmentos de material com dimensões maiores do que o habitual, que são demasiado pesados para serem afastados do núcleo pela pressão da radiação solar.

Recorde-se que o cometa foi descoberto pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) no Chile a 1 de julho de 2025. Como lembra a agência espacial norte-americana, os cientistas determinaram rapidamente que misterioso "visitante" era interestelar devido à sua elevada velocidade e trajectória.

Desde então, várias missões têm acompanhado e estudado o cometa, ajudando a refinar a sua trajectória pelo Sistema Solar e a compreender melhor a sua composição.

Clique nas imagens para ver as imagens do 3I/ATLAS captadas por várias missões

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.