As redes móveis estão a entrar numa nova fase em 2026, indo além da expansão da cobertura ou de velocidades de download ultra rápidas. Um relatório da Ookla aponta que o foco está cada vez mais em saber se as redes conseguem oferecer fiabilidade, rapidez de resposta e capacidade suficientes para suportar novos serviços em condições reais

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A mudança ocorre ao mesmo tempo que se verificam alterações significativas na arquitetura das redes, com o 5G Standalone (5G SA) a ganhar terreno em vários mercados e, a partir das bases desta tecnologia, estão a ser preparados os primeiros lançamentos do 5G Advanced

Segundo dados do Ookla Speedtest, a região Ásia-Pacífico continua a liderar tanto na implementação como na adoção de 5G SA, com uma taxa de penetração de 33% no terceiro trimestre de 2025. 

Nesta região, a China destaca-se pela escala e consistência na disponibilização. Os dados indicam que perto de 80% das ligações da rede móvel de quinta geração na China já eram de 5G SA. A Índia também se tornou um mercado relevante, embora o crescimento tenha sido impulsionado por uma única operadora. 

Ookla | 5G Standalone
Ookla | 5G Standalone créditos: Ookla

Os especialistas indicam que outras regiões têm registado progressos, mas a diferença nas transições mantém-se significativaPor exemplo, na América do Norte, a taxa de penetração do 5G SA subiu para 27% no terceiro trimestre do ano passado. Por comparação, no mesmo período em 2024, este valor rondava os 18%. No Japão e na Coreia do Sul, a transição é mais cautelosa, atingindo uma taxa de penetração de 10% no final de 2025. 

Por outro lado, na Europa, esta taxa não vai além dos 2% e, na região do Golfo, fica apenas pelos 1,7%. Apesar disso, a Europa e o Médio Oriente representaram uma parte significativa dos novos lançamentos comerciais de 5G SA nos últimos meses. 

As melhorias de desempenho do 5G SA são visíveis em vários indicadores e as velocidades de download atingiram novos máximos em vários mercados, realça a Ookla. No terceiro trimestre do ano passado, os Emirados Árabes Unidos lideraram com uma velocidade mediana de download em 5G SA de cerca de 1,2 Gbps. Segue-se a Coreia do Sul (740 Mbps) e pela Grécia 500 Mbps). 

A nível internacional, o 5G SA permitiu uma redução de 23% na latência mediana em comparação com o 5G convencional. Alguns mercados registaram melhorias ainda maiores, como Hong Kong (43%) e França (31%). 

Ookla | 5G Standalone / latência
Ookla | 5G Standalone / latência créditos: Ookla

Redes mais resilientes, o impacto da IA e de olhos postos no 6G

O tema da resiliência das redes ganhou maior destaque em 2025 depois de várias disrupções de grande impacto, causadas por apagões elétricos, problemas nos cabos submarinos ou falhas nos serviços na Cloud. Como realçam os especialistas da Ookla, a resiliência assenta em dois factores-chave: manter a conectividade essencial durante choques imprevistos e restaurar rapidamente os serviços após as interrupções. 

Nesse sentido, as operadoras estão a apostar em medidas de reforço das redes, tanto no que respeita à arquitetura como à autonomia energética, para que continuem a funcionar mesmo quando há falhas

Algumas operadoras estão também a olhar para a resiliência como um fator de diferenciação, integrando-a em ofertas para consumidores, como backups automáticos via rede móvel (4G/5G) para Wi-Fi doméstico. 

Do lado dos reguladores, a aposta passa pelo reforço das exigências relativas a horas mínimas de autonomia de baterias ou à obrigatoriedade de geradores, ajustando em alguns casos os requisitos tendo em conta a densidade populacional ou o quão críticas são as infraestruturas.

A evolução da tecnologia Direct-to-Device é outra das tendências apontadas pela Ookla. Nos Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia, operadoras já passaram da fase de testes-piloto, com casos de utilização que vão além de situações de emergência. 

Neste campo, estão também a surgir vários modelos técnicos e comerciais, de capacidades nativas de mensagens via satélite em smartphones a serviços em parceria com operadoras, que reutilizam o espetro existente.

Com a crescente popularização da IA, as aplicações que usam esta tecnologia estão a mudar a forma como as redes são utilizadas, obrigando a repensar os requisitos no que toca à velocidade de upload e latência. 

De acordo com o relatório, as discussões sobre o 6G estão a acelerar. O desenvolvimento de normas está em curso, com conclusão prevista para 2028 e de olhos postos nos lançamentos comerciais mais perto de 2030. 

Apesar disso, a indústria mantém-se cautelosa, em particular, porque muitas operadoras estão focadas neste momento na transição para o 5G SA. Os especialistas preveem que, em várias regiões, o 6G poderá ser tratado menos como uma atualização de hardware e mais como uma evolução baseada em software. 

Ookla | A caminho do 6G
Ookla | A caminho do 6G créditos: Ookla

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