A OpenAI garantiu que está a fazer emendas ao acordo assinado com o Departamento de Defesa - ou Departamento da Guerra como foi rebatizado por Donald Trump - para deixar mais claras as restrições à utilização dos seus modelos de inteligência artificial. As restrições em questão têm a ver com a proibição de usar a tecnologia para operações de vigilância massiva dos norte-americanos.
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Sam Altman, presidente e co-fundador da OpenAI publicou a informação na rede social X, como parte de um memorando interno que já terá sido distribuído pelos colaboradores para os informar da alteração, depois da enorme polémica sobre o tema nos últimos dias.
A nova cláusula acrescentada ao acordo vai indicar que “de acordo com as leis aplicáveis, incluindo a Quarta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a Lei de Segurança Nacional de 1947 e a Lei FISA de 1978, o sistema de IA não deve ser usado intencionalmente para vigilância doméstica de pessoas e cidadãos dos EUA”.
Nas emendas ao acordo inicial ficará também explícito que a tecnologia não será usada pelas agências de inteligência do Departamento, em especial pela Agência de Segurança Nacional (NSA) e que qualquer serviço prestado às agências exigirá uma modificação.
Sam Altman garante que se recebesse uma ordem que considerasse inconstitucional preferia ir para a cadeia a cumpri-la, mas não foi essa a ideia que a OpenAI deixou passar nos últimos dias e isso tem custado duras críticas à empresa e não só.
O acordo da OpenAI com o Departamento de Defesa foi anunciado depois do cancelamento de um acordo semelhante com a Anthropic, que trabalhava com a defesa americana desde 2024.
A rutura deu-se depois de a Anthropic ter recusado retirar barreiras de segurança dos seus modelos de inteligência artificial, para permitir ao Governo norte-americana usá-los como entendesse.
O Departamento de Defesa pressionou a empresa a remover as restrições em nome da segurança nacional e ameaçou mesmo colocá-la na lista de organizações que representam um risco para a cadeia de abastecimento, um lugar que costuma estar reservado para empresas estrangeiras de países adversários dos EUA, como a China.
A Anthropic manteve-se firme e assegura que nenhuma “intimidação ou punição” fará a empresa mudar de posição e concordar que a sua tecnologia possa ser usada para operações de vigilância massiva, ou para produzir armas autónomas que matem sem intervenção humana.
"Num conjunto restrito de casos, acreditamos que a IA pode minar, em vez de defender, os valores democráticos", escreveu Dario Amodei, CEO da Anthropic numa nota divulgada pela empresa sobre o tema. "Algumas utilizações estão simplesmente fora dos limites do que a tecnologia atual pode fazer de forma segura e fiável", admitiu o responsável.
A posição vai custar à empresa um contrato com o Pentágono que algumas fontes na imprensa dizem valer 200 milhões de dólares, e não só. Trump juntou-se à polémica e anunciou que todas as agências federais vão ser instruidas a cessarem acordos em vigor com a Anthropic.
Quase ao mesmo tempo, formou-se um movimento cívico de apoio à decisão da Anthropic e condenação da OpenAI. O QuitGPT sensibiliza para a existência de alternativas ao ChatGPT e defende a necessidade de princípios éticos no desenvolvimento e utilização da IA, que se sobreponham a uma visão financeira. Há um contador no site, onde se refere que mais de 1,5 milhões de pessoas já tomaram medidas para fazer parte do boicote ao ChatGPT.
Outros dados mostram que durante o fim-de-semana a Anthropic passou a liderar o top das aplicações gratuitas mais descarregadas no iOS e que o número de desinstalação da aplicação do ChatGPT aumentou 295% em comparação com o dia anterior ao do anúncio. segundo dados da Sensor Tower.
Sam Altman assegura que a sua empresa não está disposta a tudo para assegurar um lugar para a tecnologia da OpenAI na rede secreta do Pentágono, e frisou que nas conversas com os responsáveis da Defesa tem deixado clara que não aprova uma possível inclusão da Anthropic na “lista negra” de empresas dos Estados Unidos.
Também admite que foi precipitado fechar o acordo na sexta-feira, quando o tema é complexo e merecia uma análise detalhada, que acabou por revelar a necessidade de fazer emendas ao acordo inical - uma forma de dizer que a OpenAI não deu um passo atrás, tem a mesma visão que a Anthropic.
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