Um novo estudo da Omdia revela uma mudança significativa nos hábitos de consumo de vídeo em smartphones e tablets. Tratam-se das aplicações de microdramas, que já estão a gerar mais tempo de visualização diária do que os grandes serviços de streaming.
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Analisando dados do quarto trimestre de 2025 nos Estados Unidos, a consultora conclui que a aplicação ReelShort acumula, em média, 35,7 minutos de visualização por utilizador por dia em dispositivos móveis. Em comparação, a Netflix regista 24,8 minutos, a Amazon Prime Video 26,9 minutos e a Disney+ apenas 23 minutos. Esta plataforma de microdramas destaca-se por disponibilizar vídeos verticais, otimizados para smartphones, com episódios de um a dois minutos cada.
Estes pequenos vídeos têm como público-alvo principal mulheres entre os 25 e os 45 anos, embora o formato esteja a expandir-se para novos segmentos. A descoberta de conteúdo é feita sobretudo através de anúncios publicados em plataformas como o YouTube, o Instagram e o TikTok. Mas esta tendência não se limita aos EUA. No Reino Unido, a aplicação FlickReels já supera a Amazon Prime Video em tempo de utilização diária em smartphones, com 22,39 minutos face a 21,47 minutos do primeiro.
No México, a DramaBox ultrapassa também tanto a Amazon Prime Video como a Disney+. Em termos de receitas, a Omdia estima que o mercado global de microdramas tenha atingido os 11 mil milhões de dólares (9.312 milhões de euros) em 2025, devendo crescer para 14 mil milhões (11.852 milhões de euros) até ao final de 2026. Criado inicialmente para o mercado Chinês, a expansão foi rápida, sendo os Estados Unidos o mercado com maior peso, representando este 50% das receitas internacionais, ou seja, 1,5 mil milhões de dólares (1.270 milhões de euros).
"Os microdramas estão a ganhar a batalha pela atenção, pelo menos por agora", afirma Maria Rua Aguete, responsável pela área de Media e Entretenimento da Omdia, citada em comunicado. "Este é o indicador que os streamers mais valorizam, enquanto procuram aumentar o uso em mobile e competir com as plataformas sociais, onde o envolvimento diário se aproxima dos 80 minutos." A consultora alerta que plataformas como a Netflix e a Disney+ enfrentam uma pressão crescente para reduzir a diferença de envolvimento em dispositivos móveis face a plataformas dominantes como o YouTube e o TikTok.
Como tal, a adopção de estratégias de vídeo vertical, incluindo o formato de “microdramas”, surgem como o próximo passo lógico para aumentar o uso dos smartphones sem canibalizar o conteúdo premium de longa duração. Esta análise aponta ainda para oportunidades relevantes para as operadoras de telecomunicações, que poderiam integrar plataformas de “microdramas” como valor acrescentado nos seus pacotes.
Através destas, poderiam surgir oportunidades para reduzir a taxa de abandono de clientes ou explorar parcerias publicitárias, tirando partido do carácter altamente viciante e de baixo custo habitualmente associado a este tipo de conteúdo.
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