Dados partilhados em vários estudos confirmam que os riscos online estão a crescer e que muitas vezes os jovens não têm o apoio de que precisam para ultrapassar situações mais graves de ciberbullying, grooming, ou outras ameaças no mundo digital. E os pais e educadores, estão preparados para dar esse apoio?
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Os responsáveis pelo projeto “Agarrados à Net” partilharam hoje os resultados, ainda provisórios, de um estudo realizado junto de mais de 2,6 mil pais e educadores em Portugal que revela a evolução em relação às preocupações e estratégias usadas pelas famílias. Nos dados é visível uma maior maturidade mas que ainda não é generalizada, e que tem muitas vezes falhas na abordagem que dificultam a comunicação.
Tito de Morais e Cristiane Miranda, Cofundadores do projeto Agarrados à Net, sublinham que “os pais sabem a teoria da mediação positiva mas têm dificuldade em colocar em prática”.
Durante a conferência Mediação Parental do Uso das Tecnologias por Crianças e Jovens, que decorreu esta manhã com o apoio da APDC e da Google, os especialistas partilharam alguns conselhos que fazem parte da formação que está a ser preparada com a iniciativa “Conhece o NOA", que pretende formar 300 especialistas para apoiar 9.000 pais e educadores na gestão de segurança digital em Portugal e que vai contar com sessões online e presenciais.
Mães estão mais presentes no acompanhamento da atividade online
O estudo realizado pelo projeto pretende trazer mais dados sobre a realidade das famílias na forma como é feito o acompanhamento e mediação da atividade dos mais novos online. Os resultados mostram que são sobretudo as mães que respondem (com mais de 80% de participação no inquérito) e que estão mais presentes no acompanhamento da atividade online dos mais novos, embora seja os pais sejam os aplicadores dos castigos.
Algumas das respostas dão sinais animadores de uma comunicação que já é mais fluída, com 65% a referirem que falam com os filhos sobre a atividade online. Mas Tito de Morais questiona que tipo de conversas são estas, se apenas de controle ou de capacitações, ou simplesmente monólogos. Para o especialista, as conversas casuais não são uma estratégia de proteção, e podem levar a uma falsa sensação de segurança.
Os castigos também não são uma boa opção. “Tornam a tecnologia um prémio ou um privilégio”, avisa Cristiane Miranda, lembrando que dificultam a confiança para confessar os problemas, quando eles existem.
Restringir conteúdos e limitar tempo
Na análise feita, há também mudanças nas estratégias dos educadores com a evolução da idade das crianças. Para os mais novos (até aos 11 anos) a opção passa por restringir os conteúdos a que têm acesso, quando para os mais velhos a preocupação é com o tempo de ecrã e nas redes sociais, abandonando-se a restrição dos contactos.
“Estamos a vigiar o que as crianças veem online mas deixamos a porta aberta a contactos com desconhecidos”, defende Cristiane Miranda, que alerta para a necessidade de continuar a limitar o acesso aos contactos de estranhos porque muitas vezes é esta a materialização de alguns dos maiores riscos, como o grooming e assédio sexual. E isto é válido para as mensagens, redes sociais e para os jogos.
“Hoje o perigo não está fechado no quarto, anda no bolso”, lembra Tito de Morais.
O desconhecimento dos educadores sobre as ferramentas de controle parental e a forma de as configurar é também uma preocupação partilhada pelos fundadores do projeto projeto Agarrados à Net e Miúdos Seguros na Net, e o programa “Conheça o NOA”, desenvolvido com a Google, quer capacitar os pais e educadores na gestão da segurança digital.
A iniciativa já decorre noutros países e em Portugal vai contar com 5 sessões online e uma presencial até dezembro de 2026, procurando formar 300 formadores que depois podem partilhar este conhecimento com pais e educadores, esperando atingir 9 mil pessoas num efeito em cascata.
O programa está centrado na aplicação Family Link da Google mas Tito de Morais lembrou que há ferramentas para computadores com sistemas operativos Windows, Mac e Linux, mas também para telemóveis e tablets com iOS. E os pais podem também configurar os browsers e a pesquisa, definindo controles igualmente nas consolas de jogos e outras plataformas online, como as redes sociais e serviços de gaming.
A comunicação e as estratégias de parentalidade positiva, promovidas pelo projeto Agarrados à Net nas ações de formação, foram também destacadas na sessão que decorreu esta manhã, e Tito de Morais e Cristiane Miranda partilharam os sete princípios que consideram essenciais:
- Fala com os teus filhos
- Edica-te
- Usa controlos parentais
- Cria regras e fá-las cumprir
- Faz-te amigo e segue-os, não hostilizes, nem exageres
- Explora, partilha e diverte-te
- Sê um bom modelo
Em sintonia com estes conselhos, Fabio Digiacomo, Gestor de Desenvolvimento de parcerias estratégicas (Impacto Social) | da Google, admitiu que conversar com os mais novos pode não ser fácil mas é essencial.
“As crianças já percebem que têm mais conhecimento do que os pais, por isso é importante poderem explorar e aprender em conjunto”, defende Fabio Digiacomo
A importância de estar vigilante e fazer uma introdução faseada das ferramentas também foi defendida pelo orador da Google. “Quando um jovem começa a conduzir não vai logo para a autoestrada e isso também não deve acontecer no mundo digital”.
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