A HP revelou que a memória RAM representa agora 35% do total de custos dos materiais necessários para construir um PC, uma subida dramática face aos 15 a 18% registados no trimestre anterior. A empresa prevê um aumento contínuo dessa percentagem ao longo do ano, colocando assim uma pressão adicional nas margens de lucro num mercado já de si muito competitivo.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Durante a conferência de resultados do primeiro trimestre fiscal de 2026, o CEO interino Bruce Broussard detalhou quais as estratégias implementadas para responder a este desafio. A HP assegurou os acordos de fornecimento já existentes e de longo prazo para o resto do ano, e qualificou novos fornecedores, reduzindo o tempo de qualificação em 50% para acelerar a sua aplicação. As medidas incluem expansão de fontes de aprovisionamento de menor custo e redução de custos logísticos através de processos de planeamento ágeis potenciados por inteligência artificial (IA).

A empresa está também a ajustar a sua linha de produtos, procurando assim alinhar a oferta com as necessidades dos clientes, além de implementar ações de ajuste de preços em parceria com canais e clientes diretos. Apesar destes esforços, a CFO Karen Parkhill alertou que os resultados anuais ficarão próximos do limite inferior da orientação fornecida, refletindo dificuldades em manter margens elevadas face à escalada dos custos dos componentes.

Vendas de PCs cresceram em 2025. Expectativas para 2026 são menos otimistas
Vendas de PCs cresceram em 2025. Expectativas para 2026 são menos otimistas
Ver artigo

Relativamente aos resultados em si, a receita total atingiu os 14,4 mil milhões de dólares (aproximadamente 12,2 mil milhões de euros), mais 7% que no ano anterior, com lucros por ação (não-GAAP) de 0,81 dólares (69 cêntimos). A divisão de sistemas pessoais gerou 10,3 mil milhões de dólares (cerca de 8,74 mil milhões de euros) em receitas, o que representa uma subida de 11% impulsionada por aumentos de 14% nas vendas a consumidores e 11% no segmento empresarial.

A divisão de impressão registou descida de 2% para 4,2 mil milhões de dólares (3,56 mil milhões de euros), mas mantém as boas margens operacionais de 18,3%, contra apenas 5% no segmento dos sistemas pessoais. Ketan Patel, presidente da divisão de sistemas pessoais, atribuiu este crescimento à adoção do Windows 11 e à procura pelos novos AI PCs, que já representam 35% das vendas. O crescimento deste segmento resulta do incremento de programadores a desenvolverem aplicações otimizadas, tendo a própria HP mais de 100 desenvolvedores para acelerar a criação de aplicações que tirem partido destas capacidades.

O CEO da HP aproveitou a ocasião para falar sobre a decisão do Supremo Tribunal, que anulou as tarifas impostas pela administração Trump. O responsável afirmou, no entanto, que espera que a empresa não seja afetada negativamente por estes desenvolvimentos, como um possível aumento das tarifas de 10% para 15%. A reação dos mercados face a estes resultados foi negativa, tendo as ações caído de 18,33 para 17,15 dólares na negociação after-hours. Esta descida de 6% que reflete preocupações com a capacidade da HP de manter margens rentáveis num ambiente onde os custos de memória mais do que duplicaram num trimestre, e cujo horizonte não prevê melhorias tão cedo.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.