Por Gonçalo Pratas (*) 

Muito antes de 90% dos posts do linkedIn referirem a palavra Metaverso, já se desenvolviam projetos para resolver situações reais, recorrendo a tecnologias que hoje se enquadram nessa Buzz Word.

Estamos a falar do contexto escolar no arquipélago de Cabo Verde, Ilha de Santiago, cidade da Praia, numa conjuntura de pandemia Covid 19, com as restrições conhecidas de acesso à escola, quer por parte dos alunos, quer por parte dos pais.

Numa situação normal, os pais visitam a escola, participando nas actividades escolares, tendo acesso presencial aos trabalhos executados pelos filhos, que regularmente são alvo de exposição.

Sendo esta a realidade das escolas de Cabo Verde, o foco desta intervenção incide sobre a Escola Portuguesa em Cabo Verde (EPCV), e a forma com conseguiu colmatar as adversidades colocadas pela conjuntura, recorrendo à utilização de tecnologias imersivas.

De que forma as tecnologias que são a base dos mundos virtuais e constituem parte dos metaversos, ou por agora multiversos, ajudaram a solucionar aspetos tão pouco virtuais?

Utilizando diferentes ferramentas tecnológicas, como fotogrametria por automatização de drones, fotografia 360, renderização de texturas e modelos 3D, foi possível recriar um modelo digital 3D da escola, vulgo gémeo digital (Digital Twin).

A existência deste modelo digital 3D é de extrema importância, pois é a base para a criação de mundos virtuais em diferentes plataformas, para diferentes tipos de aplicações e diferentes tipos de dispositivos. Por exemplo, podem ser criados cenários de elevada qualidade em plataformas de desenvolvimento de videojogos, como Unity e Unreal Engine, ou importar estes modelos em plataformas de colaboração online, como Mozilla Hubs ou Microsoft Altspace, possibilitando ambientes multi-utilizador e multi-dispositivo de acordo com os desafios que se pretendem colmatar.

No caso específico da EPCV, pretendia-se criar um ambiente virtual que permitisse, aos pais visitarem a escola de forma não presencial, mas contextualizada, mas também aos professores e alunos terem acesso a uma plataforma, simples de aprender e de customizar, que lhes permitisse interagir entre eles e exporem os seus trabalhos e actividades nas paredes das salas (neste caso paredes virtuais), para que os pais e a comunidade escolar em geral pudesse voltar a ter uma ligação com a escola.

A plataforma escolhida foi o Mozilla Hubs, por, principalmente ser uma plataforma de código aberto, mas também por ser acessível através de qualquer navegador (browser) recente. No entanto, por ser uma plataforma dita web, teve alguns desafios técnicos adicionais, como o reduzido tamanho dos modelos 3D ou reduzido número de polígonos que podem ser utilizados.

Ultrapassados estes desafios, foi possível recriar o ambiente do pavilhão de pré-escolar e ensino básico, cujo resultado conduziu aos objectivos definidos. Não só permite aos pais visitarem a escola de forma virtual, trazendo a escola de volta à comunidade, mas também publicar os trabalhos e atividades escolares dos alunos num espaço contextualizado com a realidade física, por exemplo, na sua própria sala.

Como uma nova uma mais-valia para a comunidade escolar, permite ainda aos pais que vivem noutras ilhas ou no estrangeiro, o acesso não presencial à escola e aos trabalhos dos filhos.

Sendo um ambiente imersivo 3D, permite ainda um engajamento adicional dos alunos com a escola quando estiverem em casa, onde poderão sentar, literalmente, o seu avatar na mesma cadeira onde se costumam sentar, ao lado do avatar dos seus colegas.

A direcção da escola, representada pela Eng.º Suzana Maximiano, que abraçou este projecto desde a primeira hora, identifica a utilização das tecnologias imersivas no ensino como ferramenta complementar essencial para o ensino do futuro, estando já a pensar em investimentos adicionais nesta área.

Quanto a este projeto especificamente, acrescenta, permite resolver uma das principais queixas dos pais, de não poderem visitar a escola, mas também permite criar atividades com outras escolas, remotamente, num ambiente contextualizado e com a identidade da EPCV.

A escola pode ser visitada virtualmente na seguinte ligação: https://bit.ly/3MHV6TW

(*) Co-Presidente VRARA Portugal

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