Foi no dia 18 de fevereiro que o rover Perseverance da NASA aterrou com sucesso na cratera de Jezero em Marte, mas a sua história começou bem antes. O rover foi substituir o anterior Opportunity, que em junho de 2018 foi apanhado por uma tempestade de areia, o que o impediu de receber os raios solares para o recarregamento de energia. O rover, que tinha sido criado para durar apenas 90 dias, acabou por reinar em solo marciano durante 15 anos, mas depois de 1.000 tentativas para o recuperar, a NASA teve de dizer adeus e cortar definitivamente a ligação, em fevereiro de 2019.

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No plano da agência espacial já estava o Perseverance, batizado oficialmente em março de 2020, cerca de um ano antes do seu envio para o planeta vermelho. O nome foi escolhido entre mais de 28 mil propostas num concurso público. Numa verdadeira corrida contra a China, que preparava a sua primeira sonda Tianwen-1, foi no dia 30 de julho de 2020 que a NASA deu luz verde para o lançamento da missão Perseverance, com o objetivo de recolher amostras de rochas no planeta vermelho.  

Foram necessários oito meses de viagem para chegar ao seu destino, mas o seu concorrente chinês chegou primeiro à órbita de Marte, sendo o primeiro a enviar as primeiras imagens para a Terra. Apesar de ter chegado mais tarde, o rover da NASA tinha um trunfo na manga, o pequeno helicóptero Ingenuity, que durante os últimos anos fez incontáveis voos no planeta, fazendo registos únicos da superfície de Marte. A sua missão final realizou-se em novembro de 2025, após uma aterragem forçada

Para comemorar os cinco anos da missão Perseverance, a NASA partilhou cinco marcos importantes. Em julho de 2024, o rover tropeçou numa rocha que pode ter alojado vida microbiana há milhares de milhões de anos. “A rocha exibe assinaturas químicas e estruturas que poderiam ter sido formadas pela vida há milhares de milhões de anos, quando a área explorada pelo rover continha água corrente", explicou a NASA na altura.

Recorde as primeiras imagens captadas pelo Perseverance em Marte

Em setembro de 2023, o instrumento MOXIE, transportado pelo rover Perseverance da NASA, demonstrou com sucesso que é possível produzir oxigénio a partir da atmosfera de Marte. Este foi considerado um passo essencial para futuras missões tripuladas. Desde 2021, este equipamento gerou oxigénio em 16 ocasiões, num total de 122 gramas, com mais de 98% de pureza, o suficiente para um pequeno cão respirar por 10 horas, aponta a NASA.

Outra descoberta do Perseverance é a confirmação de que a cratera de Jezero albergou um lago habitável e estável, com um delta e sistema de rio sustentada por atividade hidráulica. No fundo da cratera foram também encontrados vários tipos de rochas formadas a partir de magma arrefecido lentamente, que funcionam como “cápsulas do tempo”, permitindo determinar quando e como se formaram. Estas mostram sinais de interação com água, indicando condições habitáveis no passado.

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A NASA destaca ainda o papel do helicóptero Ingenuity, que completou 72 voos históricos desde que chegou ao planeta. O pequeno aparelho foi o primeiro a conquistar o céu, num voo controlado, num outro planeta. Completou um total de 128,8 minutos de voo, cobrindo cerca de 17 quilómetros, alcançando uma altitude máxima de 24 metros. O helicóptero serviu como os olhos do céu, abrindo caminho para a deslocação do seu companheiro Perseverance explorar. Mas acima de tudo, o aparelho pavimentou o caminho para a futura exploração aérea em Marte e possivelmente outros destinos espaciais.

Por fim, um destaque às descobertas do rover através dos seus microfones. O microfone ajudou os cientistas a analisar a acústica de Marte, revelando que o som se desloca mais lentamente do que na Terra. Isso deve-se às “estranhas características” da atmosfera de Marte, variando com a sua frequência e tom. Na Terra o som desloca-se a uma velocidade de 343 metros por segundo, em Marte, os sons com tons baixos viajam a 240 metros por segundo, enquanto que os mais elevados chegam aos 250 metros por segundo. 

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