
Por Rui Nuno Castro (*)
O empreendedorismo no feminino é hoje uma força transformadora no panorama da inovação nacional e internacional. Em Portugal, essa tendência ganha expressão através de projetos liderados por mulheres que estão a redefinir modelos de negócio, a criar impacto social e a gerar valor sustentável.
Para além dos resultados económicos, o empreendedorismo feminino traz consigo uma abordagem distintiva ao modo como se lidera, se gere e se impacta o mundo. As mulheres empreendedoras têm demonstrado uma notável capacidade de organização, visão sistémica e uma tendência para criar ambientes colaborativos e resilientes. A sua liderança promove, frequentemente, o equilíbrio entre vida profissional, familiar e pessoal — um aspeto cada vez mais valorizado nas sociedades contemporâneas.
A maternidade, muitas vezes vista como um desafio para a carreira, é frequentemente integrada por estas mulheres como fonte de inspiração e motivação. Ao empreender, muitas mulheres não procuram apenas sucesso empresarial, mas também criar um legado, um exemplo para os seus filhos e uma realidade mais justa para as suas comunidades. Esta perspectiva alargada do impacto é uma das grandes riquezas do empreendedorismo no feminino.
Na inCoimbra StartUp HUB, esta realidade está bem patente. A Apolo Kids, liderada por Claudia de la Riva, promove soluções educativas inovadoras. Claudia é um exemplo vivo do talento feminino que nasce e cresce no ecossistema da inCoimbra — e cuja projeção internacional, reforçada pela sua presença no ranking da EU-Startups das 100 mulheres mais influentes no espaço europeu de startups e capital de risco, representa um ativo estratégico para a visibilidade e valorização deste ecossistema. A Whale & Jaguar, com Nohora Galán Navarro como CEO, é uma agência criativa que alia inteligência artificial à estratégia de marca, potenciando a eficiência e inovação na comunicação das organizações. A Salterra Foods, de Ana Raquel Gonçalves, aposta na alimentação consciente e funcional. A Non Tourist Guide, cofundada por Joanna Sievers, traz uma nova abordagem ao turismo de experiência. A NextNorth, liderada por Gema Ferrero Rubiera, destaca-se pela aplicação de inteligência artificial e tecnologias espaciais na análise e visualização de dados em tempo real, com projetos de impacto global, como o desenvolvido durante o Mundial de Futebol no Qatar. Estas mulheres, com trajetos distintos, têm em comum a liderança, a visão e a coragem para empreender em setores desafiantes.
A liderança feminina, no entanto, não se esgota no mundo das startups. Cristina Fonseca, partner da Indico Capital Partners, é hoje uma das figuras mais influentes do capital de risco europeu. Co-fundadora da Talkdesk, tem sido uma voz ativa na promoção do investimento em tecnologia e talento nacional. A distinção recente no ranking da EU-Startups como uma das 100 mulheres mais influentes no espaço europeu de startups e capital de risco — onde surge ao lado de empreendedoras como Claudia de la Riva — é um reconhecimento do seu papel estratégico no ecossistema.
Também Inês Santos Silva tem sido uma protagonista incansável no ecossistema de inovação em Portugal. Com um percurso marcado pelo ativismo, pela criação de comunidades e pela defesa da inclusão, Inês tem impulsionado iniciativas como a Portuguese Women in Tech, que valorizam e visibilizam o talento feminino na tecnologia. A sua visão sistémica e a capacidade de ligação entre diferentes agentes têm inspirado uma nova geração de empreendedoras.
Neste contexto, o trabalho desenvolvido pela Tara For Women ganha especial relevo. Esta fundação internacional promove o empreendedorismo feminino como via para o empoderamento económico e a transformação social. Ao apoiar projetos alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Tara For Women cria uma rede global de mulheres que inovam com propósito, muitas vezes em territórios e contextos adversos.
A articulação entre plataformas como a inCoimbra, organizações como a Tara For Women e personalidades como Cristina Fonseca e Inês Santos Silva é essencial para construir um ecossistema mais inclusivo e equilibrado. Estas lideranças femininas têm o poder de contagiar o sistema com novos valores: colaboração, empatia, resiliência e sustentabilidade.
Valorizar o empreendedorismo no feminino é mais do que uma questão de justiça social. É uma estratégia de futuro para qualquer país que queira inovar de forma consistente e com impacto. Em Coimbra, já se sente esse futuro a acontecer. E ele é, cada vez mais, liderado por mulheres.
(*) Director da inCoimbra StartUp HUB e co-founder da alphaCoimbra
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