Por Francisco Marques (*)

Na última década, Portugal tem assistido a sinais encorajadores no que toca à vitalidade do seu tecido empresarial no ramo da ciência. Um dos sinais claros, ainda que discreto, foi o número de pedidos de patentes submetidos por entidades portuguesas que atingiu um valor recorde, com um aumento positivo acima da média europeia. Este dado, por si só, não garante progresso, mas é um indicador claro de algo essencial para o crescimento económico do nosso país: o sinal claro de que há investimento em conhecimento com valor potencial para o nosso mercado.

O crescimento sustentado de uma economia como a portuguesa, com recursos naturais limitados e uma escala quase sempre menor que os restantes parceiros europeus, exige uma visão estratégica ainda mais aguçada: valorizar o conhecimento, fomentar a investigação, proteger a propriedade intelectual e garantir que o esforço em ciência se traduz em resultados tangíveis. É precisamente nesta articulação entre ciência, inovação, tecnologia e incentivos bem estruturados que reside uma parte significativa da resposta ao nosso desafio de crescimento para o futuro.

O aumento de pedidos de patentes nas áreas de ciência e tecnologias de informação (IT) é também reflexo de uma crescente integração nas relações entre universidades, centros de investigação, startups e empresas tecnológicas. Nestes setores, em particular, temos assistido à convergência entre conhecimento académico e aplicações industriais, seja na inteligência artificial aplicada à saúde, na automação de processos produtivos ou na cibersegurança para infraestruturas críticas, para os quais contribuem também decisivamente o incentivo de programas governamentais nacionais e europeus de investimento.

Programas como o SIFIDE, criado para apoiar fiscalmente as empresas que investem em I&D, é um exemplo de política pública com impacto direto na competitividade nacional. Além do benefício fiscal, funciona como catalisador para que as empresas apostem em inovação de forma estruturada e contínua, reduzindo o risco associado à experimentação e promovendo a colaboração com centros de investigação. Como conclusão, estimula-se a criação de novas soluções e reforça-se o compromisso das empresas com a inovação como seu vetor estratégico.

Portugal tem hoje perante si uma oportunidade histórica. A transição digital e ecológica, que está a remodelar economias inteiras, exige soluções inovadoras. Países ágeis e com talento qualificado (como o nosso) estão numa posição vantajosa se forem capazes de coordenar esforços e alinhar incentivos. Não se trata apenas de criar tecnologia, mas de a aplicar com inteligência, resolver problemas reais, e sobretudo, transformar o conhecimento gerado em riqueza protegida, escalável e exportável.

Para que esta transformação aconteça, é também essencial reconhecer o papel da consultoria tecnológica especializada. Muitas empresas, mesmo com boas ideias e bons técnicos, enfrentam dificuldades em encontrar os caminhos da inovação formalizada: desde a preparação de candidaturas ao SIFIDE (já aqui atrás apresentado) até à estruturação de pedidos de patente ou à conformidade regulatória em setores críticos. Ter parceiros experientes nestas matérias não é um luxo, é uma necessidade estratégica para garantir que boas intenções se traduzem em resultados mensuráveis.

Portugal não pode crescer sustentadamente com base apenas no consumo interno ou em ciclos conjunturais, precisa de um modelo económico centrado no conhecimento, na inovação e na diferenciação tecnológica. Estes fatores implicam maior investimento em ciência, maior colaboração entre entidades públicas e privadas, maior agilidade no acesso a incentivos e, sobretudo, um foco claro: transformar boas ideias em valor económico real.

Se os sinais recentes forem aproveitados com mestria, talvez estejamos no início de uma nova etapa. Uma etapa em que Portugal deixa de ser apenas um consumidor de tecnologia estrangeira, e se assume como produtor de conhecimento, inovação e soluções globais (temos como exemplo algumas start-ups com origem portuguesa que se tornaram “unicórnios” de forma relativamente célere). É um desafio ambicioso, mas possível, e, mais do que isso, necessário.

(*) CEO, Team IT