As Pequenas e Médias Empresas da Península Ibérica não conseguem competir no mercado da contratação pública europeu porque enfrentam um conjunto de barreiras, também sentidas pela generalidade das congéneres europeias noutras geografias.
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Se estas barreiras forem desbloqueadas, será possível acrescentar 117 mil milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto para as PME europeias digitais e criar 1,8 milhões de novos empregos, conclui um um estudo da Strand Partners, patrocinado pela Amazon Web Services.
A pesquisa avalia o mercado europeu de contratação pública em 2 biliões de euros anuais e conclui que, em teoria, as PME digitais ibéricas estão altamente bem posicionadas para tirar partido desta oportunidade, porque estão entre as mais avançadas da Europa na adoção de tecnologia. Na prática isso não acontece.
A pesquisa sublinha que as empresas desta zona da Europa têm uma maturidade tecnológica superior à média europeia. Os indicadores que suportam estas conclusões estão no facto de, por exemplo, de 62% das empresas ibéricas usarem Inteligência Artificial ou Machine Learning, quando, em média, na União Europeia essa percentagem desce para os 48%. A média de empresas que usam cloud computing também será maior na região, rondando os 60%.
No entanto, as oportunidades de negócio com o sector público mantêm-se bloqueadas por questões relacionadas com a complexidade, os custos e a inconsistência dos processos. No que toca à complexidade dos processos, o aspeto é apontado por 68% das PME ibéricas. Já 37% referem em concreto a documentação exaustiva exigida nestes processos e 39% consideram que os requisitos inflexíveis também não aliciam.
“Apesar da sofisticação tecnológica, o ecossistema de inovação ibérico está a ser subaproveitado”, refere a nota de resumo da pesquisa. Por causa destes constrangimentos, 43% das PME digitais ibéricas nunca consideraram participar num concurso público, um número que não é muito diferente no resto da Europa.
A nível europeu sete em cada dez PME digitais não têm presença em processos de contratação pública (43%), 14% desistem a meio e 12% consideram que o retorno obtido com o esforço é baixo.
No entanto, na Europa, a percentagem de empresas que querem considerar esta oportunidade no futuro aumenta. Na península ibérica vai continuar a diminuir. Na região só 49% das PME vêm a contratação pública como parte da sua estratégia de crescimento no futuro. No resto da Europa têm esse entendimento 57% das PME.
“Portugal tem um ecossistema de PME digitais altamente competente e preparado para inovar. Ao tornar a contratação pública mais simples e digital desde a origem, criamos as condições para que esse talento contribua de forma mais ativa para projetos públicos”, sublinha André Rodrigues, Head of Technology Software & Tech Companies para a Europa do Sul da AWS.
Incentivar uma maior participação do segmento mais representativo do tecido empresarial ibérico nestes processos passaria por simplificar processos e reduzir a burocracia, um diagnóstico que está longe de ser novo. A pesquisa apurou ainda mais alguns fatores relevantes para esta mudança: criação de plataformas de concurso mais fáceis e consistentes (49%) e a definição de critérios de qualificação mais claros (46%).
Como reação às conclusões, o relatório patrocinado pela AWS propõe quatro medidas para endereçar o problema. Promover o diálogo entre compradores públicos e fornecedores antes do lançamento dos concursos, para assegurar que todos falam “a mesma língua”; melhorar a divulgação e o acesso às oportunidades de contratação pública em toda a UE; simplificar a apresentação e avaliação das propostas, nomeadamente passando a recorrer a mais tecnologia nesses processos de avaliação; melhorar a gestão dos contratos e o apoio ao crescimento das PME.
Neste último ponto, a ideia inclui sugestões de implementação de sistemas de faturação eletrónica para garantir pagamentos atempados; utilização de ferramentas de gestão contratual baseadas na cloud, ou incentivo à apresentação de propostas conjuntas.
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