De acordo com os mais recentes dados da PitchBook, as empresas europeias fundadas ou cofundadas por mulheres captaram uma menor proporção de investimento do que em anos anteriores. No que diz respeito à diversidade no financiamento de capital de risco, os países da Europa Central e de Leste enfrentam as maiores dificuldades.

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Desde 2008 que as startups europeias fundadas por mulheres atraíram 8,8 mil milhões de euros em 5.933 negócios. No entanto, em países como Sérvia, Letónia, Croácia, Eslovénia e Ucrânia, os anúncios públicos de investimentos de capital de risco em empresas lideradas por mulheres são ainda raros.

Mesmo quando se consideram empresas com pelo menos uma cofundadora, os países da Europa Central e de Leste continuam a ficar atrás dos países da Europa Ocidental ou da Escandinávia.

Citada em comunicado, Daiva Rakauskaitė, Managing Partner da Aneli Capital, uma empresa de gestão de fundos que apoia startups na Europa Central e de Leste, um dos principais motivos prende-se com o menor número de startups fundadas por mulheres na região.

"O capital de risco continua a ser um sector muito dependente de relações pessoais e dominado por homens, o que faz com que muitos negócios circulem dentro de redes masculinas2, afirma. Segundo a responsável, na Europa Central e de Leste, "alguns investidores são mais conservadores e há menos mulheres fundadoras, o que limita as oportunidades de apoio".

Na visão de Daiva Rakauskaitė, as startups e os investidores na na Europa Central e de Leste poderiam beneficiar significativamente de políticas de investimento mais favoráveis à diversidade, desde que o foco esteja na qualidade global e nos valores das equipas e não só no género.

"Os fundadores de startups devem concentrar-se em apresentar resultados e demonstrar que todos os géneros contam igualmente quando se trata de moldar o futuro da indústria", defende. "O género não deve ser um factor limitador no reconhecimento do talento: o mais importante é a força da equipa, a sua visão e a capacidade de execução".

Para lá do sector do capital de risco e do investimento, um relatório da McKinsey mostra que, pelo 11.º ano consecutivo, as mulheres continuam sub-representadas, sobretudo em cargos de liderança de topo, onde ocupam apenas 29% das posições executivas.

O relatório destaca também que as mulheres em início de carreira são menos incentivadas do que os homens a utilizar ferramentas de IA, o que poderá contribuir para uma diferença na utilização prática da tecnologia.

Na visão de Daiva Rakauskaitė, os dados mostram que o futuro da diversidade depende, em última análise, das ações dos gestores e do seu crescimento pessoal enquanto líderes. "Os gestores têm uma responsabilidade crítica no apoio ao crescimento das suas equipas, seja no capital de risco, no investimento ou nos negócios", afirma. 

Como defende, "é essencial não só continuar a desafiar o status quo, mas também promover ativamente ambientes onde todos os talentos, independentemente do género, sejam reconhecidos e desenvolvidos de forma equitativa. Isso, por sua vez, cria valor acrescentado". 

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