A França anunciou que vai abandonar completamente as plataformas americanas de videoconferência na Administração Pública, substituindo ferramentas como o Microsoft Teams, Zoom, Webex e Google Meet por uma solução nacional chamada Visio. A medida, que deverá estar concluída até 2027, insere-se numa estratégia de soberania digital e visa proteger as comunicações governamentais de riscos de vigilância e exposição a legislação estrangeira.

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O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia e Finanças e representa um marco na crescente tensão entre a Europa e os Estados Unidos em matéria de controlo de dados. David Amiel, Ministro da Função Pública, afirmou que o objectivo é acabar com soluções não europeias e garantir a segurança das comunicações públicas através de uma ferramenta soberana. O Visio faz parte de um pacote de ferramentas Suite Numérique, desenvolvido pela Direção Interministerial para os Assuntos Digitais, que deverá também substituir o Gmail e o Slack por alternativas nacionais ou europeias.

Este conta actualmente com cerca de 40 mil utilizadores no sector público, valor que deverá expandir para 200 mil nos próximos meses, cobrindo todos os ministérios e instituições estatais. Entre as primeiras entidades a concluir a transição estão o Centro Nacional de Investigação Científica, o Ministério da Defesa e a Segurança Social, até ao final do primeiro trimestre de 2026. O governo francês argumenta que a dependência de plataformas americanas expõe as comunicações a infraestruturas e legislação estrangeiras, situação que foi agravada com a criação do Cloud Act.

Visio
Visio

Esta mudança vai permitir uma poupança de cerca de um milhão de euros anuais por cada 100 mil utilizadores, reduzindo assim os custos de licenciamento atuais. Existe ainda a questão de simplificação dos processos e uniformização das ferramentas, visto que actualmente a Administração Pública francesa utiliza múltiplas soluções, o que dificulta a cooperação entre ministérios, criando ainda riscos de segurança acrescidos.

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Esta iniciativa surge num contexto de tensões geopolíticas crescentes. Em dezembro passado, os Estados Unidos impuseram sanções a funcionários da União Europeia, incluindo o antigo comissário francês Thierry Breton, por alegada censura digital relacionada com a Lei dos Serviços Digitais. A Comissão Europeia retaliou, ao multar a plataforma X em 120 milhões de euros, decisão que o Secretário de Estado Marco Rubio classificou como ataque às empresas tecnológicas americanas. Já em setembro o Governo Francês tinha proibido a utilização do WhatsApp e do Telegram obrigando todos os funcionários públicos a usar o serviço de mensagens instantâneas estatal Tchap para troca de comunicações oficiais.

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