A IA tem o potencial para acelerar a Administração Pública e, em Portugal, já há projetos que tiram partido da tecnologia, sendo esta uma das áreas prioritárias da Agenda Nacional de IA. No entanto, além da necessidade de escalar o seu uso, garantir o equilíbrio, continuidade e partilha afirma-se como um dos grandes desafios, realça Joana Gonçalves Sá, investigadora da Universidade Nova de Lisboa e LIP.

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Na sessão de abertura da conferência “IA no Setor Público: Balanço e Futuro”, organizada pela APDC e pela Universidade Nova, a investigadora lembrou que, “apesar de Portugal ter sido pioneiro” e de ter começado estes projetos com a ideia de aproximar a investigação científica da Administração Pública “muito antes do que outros países”, há a sensação de “estar a correr atrás do prejuízo”.

Com a “pressão de estarmos sempre a desenvolver projetos com muito pouco tempo e às vezes com dados que não são ideais, por vezes não conseguimos parar para pensar como é que eles estão a ser implementados”, afirma.

Conferência IA no Setor Público: Balanço e Futuro
Conferência IA no Setor Público: Balanço e Futuro

É um “equilíbrio difícil entre transparência e privacidade”, mas, num contexto em que “a IA está aqui e não adianta fingir que não”, é necessário garantir que os algoritmos que já estão na Administração Pública “fazem mais bem do que mal”, realça Joana Gonçalves Sá.

A importância de ter um local onde seja possível conhecer os projetos que estão a ser desenvolvidos para perceber que resultados estão a ter foi também destacada por Rogério Carapuça, Presidente da APDC, com vista a “garantir que há transparência sobre o emprego de fundos públicos, sobre aquilo que a Administração Pública está a fazer, e para assegurar accountability”.

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Os recursos na área da supercomputação podem ser uma peça-chave na implementação de soluções de IA e, como lembra João Nuno Ferreira, vice-presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), “a Administração Pública sempre foi elegível para utilizar os recursos” da EuroHPC, a organização europeia dedicada a promover a computação avançada.

Em Portugal, ao supercomputador Deucalion junta-se a parcela portuguesa do MareNostrum 5. O supercomputador, alojado e operado pelo Barcelona Supercomputing Center (BSC), prepara-se para ganhar uma nova configuração que será instalada este ano, focada em aplicações de IA, num projeto onde Portugal, em colaboração com a Espanha e a Turquia, participa no investimento de 129 milhões de euros.

Segundo João Nuno Ferreira, esta nova plataforma centrada no reforço das capacidades de IA poderá ajudar a acelerar a inovação em startups, Pequenas e Médias Empresas (PME), bem como na Administração Pública.

Massificar a adoção de IA na Administração Pública é uma das prioridades do Governo, recorda Manuel Dias CTO do Estado e Presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE).

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Na visão do responsável, o potencial da aplicação da tecnologia é vasto, mas a aposta precisa de ter em conta não só as vantagens que o país já tem em áreas como infraestrutura, conectividade ou no ecossistema de startups, mas também a necessidade de preparar os trabalhadores para a usarem de maneira eficaz.

Entre as 32 iniciativas detalhadas no Plano de Ação da Agenda Nacional de Inteligência Artificial (PAANIA) fazem parte projetos como a criação de um plano de formação sobre esta tecnologia para os trabalhadores da Administração Pública, assim como a criação de um Centro de Excelência em IA, previsto para o primeiro semestre de 2026, que será integrado na ARTE.

“Cabe a todos assumir a IA como uma prioridade”, afirma Manuel Dias, defendendo que esta “é uma época em que precisamos de agir” e “não ser apenas um país utilizador desta tecnologia”.

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