Os bombardeamentos dos Estados Unidos ao Irão e respetivas retaliações fazem parte das manchetes dos jornais, debates televisivos, mas também nas partilhas nas redes sociais. Esta é uma altura onde se constroem narrativas que muitas vezes são ilustradas por imagens que não espelham a realidade, levando à desinformação. A BBC tem analisado algumas dessas imagens e vídeos partilhados criados por inteligência artificial (IA) sobre a guerra dos Estados Unidos/Israel contra o Irão, numa tentativa de separar o que realmente é real da ficção presente nas redes sociais nestes dias de ataques no Médio Oriente. 

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Nos exemplos partilhados, a publicação mostra como as imagens são alteradas, para simular bombardeamentos e chama a atenção aos detalhes evidentes. É o caso de uma base naval dos Estados Unidos no Qatar, de uma perspectiva aérea partilhada na rede social X pelo Tehran Times, jornal ligado ao governo do Irão. Na imagem, o Irão reclama a destruição de um radar norte-americano, mas como se pode ver nas fotos lado-a-lado, os veículos em ambas estão no mesmo local. Segundo as ferramentas de deteção de manipulação, a imagem foi alterada com IA da Google.

Outra imagem manipulada é de uma base norte-americana no Iraque, revelando mais uma explosão. A imagem verdadeira mostra uma nuvem de fumo a elevar-se no céu do aeroporto internacional de Irbil, mas a falsa mostra uma gigantesca pirâmide de chamas. Mais uma vez, os pequenos elementos à volta são inconsistentes, revelando-se falsa. 

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BBC créditos: BBC

Além das fotos e vídeos falsos, também foram criadas contas na rede social X dos supostos novos líderes do Irão, que se provaram ser falsas novamente. Depois da morte do Líder Supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, nos bombardeamentos, três membros do conselho assumiram o seu papel: o presidente do país Massoud Pezeshkian, o chefe da judiciária Gholamhossein Mohseni Ejei e o clérico conservador Ayatollah Alireza Arafi. Pelo menos duas contas em nome de Arafi foram criadas, no dia em que foram eleitos. A marca azul do X mostra a sua inutilidade, uma vez que pode ser comprada. Estas contas foram utilizadas para partilhar conteúdos falsos e não verificados, muitos gerados por IA. 

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Por outro lado, existe o efeito contrário, quando é partilhado conteúdo real, mas já sugere a dúvida se são mesmo verdade. Um dos exemplos é o vídeo a circular de caças americanos F-15 que foram abatidos, onde se vê o piloto a ejetar-se. As imagens estão também a ser usadas como propaganda, mas os Estados Unidos já declararam que os vídeos são reais, mas que tudo se deve a um incidente no Kuwait. Foram as defesas do país que confundiram os aviões americanos e atuaram sobre os mesmos. Os seis tripulantes ejetaram-se com sucesso e foram salvos.

Outras imagens de supostos ataques por drones à base francesa em Abu Dhabi e uma refinaria de petróleo na Arábia Saudita. Para que tenha um olhar mais atento e analítico sobre possíveis conteúdos falsos, tanto em vídeos como imagens, a BBC partilhou algumas dicas rápidas. A primeira é olhar com atenção para as imagens e procurar inconsistências visuais, tais como objetos estranhos que apontam à manipulação. Note nas mãos das pessoas se os dedos não parecem “salsichas” e outros detalhes como logotipos que se revelem falsos.

Outro elemento que deve denunciar de imediato se a imagem é “fake” são as suas marcas de água. Ferramentas como o Sora deixam marcas de água que rapidamente denunciam o teor do conteúdo como falso. Por vezes os criadores tentam disfarçar essas marcas, passando um efeito de “blur”, o que deve também levantar suspeitas. Ferramentas como o SynthID da Google ajudam a identificar imagens geradas por IA e a detetar marcas de água invisíveis ao olho humano. A pesquisa inversa das fotografias, através do Google Images, também pode ser uma forma de verificar a voracidade das imagens, encontrando a sua fonte original.

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