O ChatGPT começa hoje a mostrar publicidade nas versões grátis do chatbot, numa decisão que não foi vista com bons olhos pelos utilizadores, mas também por outra rival no mundo da IA, com uma campanha de anúncios que tem dado que falar nos últimos dias.
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Lançada pela Anthropic, a campanha conta com anúncios que mostram diferentes pessoas a pedir conselhos a uma versão personificada de um agente de IA. Mas, em vez de recomendações realmente úteis, todos os protagonistas acabam por receber anúncios disfarçados.
Num dos vídeos, alguém pede conselhos sobre a forma mais rápida de ficar com abdominais definidos. À partida, a resposta dada até parece útil, mas “descamba” num anúncio para palmilhas com elevação para aumentar a confiança fora do ginásio.
Veja o vídeo
Noutro vídeo alguém quer saber como comunicar melhor com a sua mãe. De modo semelhante, a resposta começa no bom sentido, mas rapidamente se torna num anúncio, neste caso para um serviço de encontros para homens jovens à procura de mulheres maduras.
Todos os vídeos, que anteciparam a campanha criada para passar durante a final do Super Bowl, terminam com o mote “os anúncios estão a chegar à IA, mas não ao Claude”.
Note-se, no entanto, que na versão que passou este domingo na final da liga de futebol americano, o mote mudou ligeiramente para: “Há um tempo e um lugar para os anúncios. As suas conversas com a IA não devem ser um desses momentos”.
Embora a Anthropic não faça referências diretas ao ChatGPT nem à OpenAI, não demorou muito até que os internautas fizessem a ligação. Sam Altman também a fez e, apesar de admitir que os anúncios até tinham alguma piada, o CEO da OpenAI, não ficou exatamente contente.
“Em primeiro lugar, a parte boa dos anúncios da Anthropic: são engraçados e ri-me. Mas pergunto-me por que motivo é que a Anthropic escolheria fazer algo tão claramente desonesto”, afirma o responsável numa publicação na rede social X.
“O nosso princípio mais importante em relação aos anúncios diz que não faríamos exatamente isto”, defende Sam Altman. “Não somos estúpidos e sabemos que os nossos utilizadores rejeitariam isso”.
O CEO da OpenAI criticou também o modelo de negócio da rival, argumentando que a Anthropic “oferece um produto caro para pessoas ricas” e que “quer controlar o que as pessoas fazem com a IA”.
“Impedem empresas de quem não gostam de usar o seu produto de programação (incluindo nós), querem escrever as próprias regras sobre o que as pessoas podem fazer ou não com IA e agora também querem dizer a outras empresas quais os modelos de negócio que podem ter”, remata o responsável.
A OpenAI também teve um anúncio no Super Bowl, numa proposta centrada no Codex, o seu assistente na área da programação. Por outro lado, dados da Meltwater e da Sprout Social, duas empresas especializadas em análise de redes sociais, sugerem que os espectadores mostraram mais entusiasmo em relação aos anúncios da Anthropic, avança o website Business Insider.
As rivalidades sempre fizeram parte do mundo da tecnologia e os anúncios da Anthropic juntam-se a uma lista de publicidades feitas por grandes tecnológicas para “espicaçar” outras concorrentes, entre menções mais ou menos diretas.
Ao contrário do que acontece, por exemplo, em Portugal, onde existem regras específicas que proíbem a prática, as publicidades que comparam diretamente produtos e serviços são comuns em países como os Estados Unidos e, ao longo do tempo, foram surgindo vários anúncios que acabaram por se tornar memoráveis, feitos por empresas como Apple, Samsung ou Microsoft.
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