Com a recente aprovação do licenciamento de testes em veículos autónomos em via pública, integrado no plano Mobilidade 2.0, o Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, garante que Portugal abre as portas para “acelerar a inovação em Portugal no setor da condução autónoma". Isto, no entanto, não significa que em Portugal não existam já projetos inovadores na área da mobilidade, sendo em alguns casos essenciais na cadeira de fornecimento de grandes grupos industriais.
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Fomos pesquisar tudo o que é “Made in Portugal” na área de mobilidade, e rapidamente apercebemo-nos que andamos a subestimar a nossa economia. Desde a produção de veículos automóveis, de componentes essenciais para o sector da mobilidade, veículos ligeiros e pesados de mercadorias, e soluções de mobilidade elétricas inclusivas, a indústria nacional é uma verdadeira caixinha de surpresas. Descubra tudo o que encontrámos.
Produção atual em Portugal
Segundo dados fornecidos pela ACAP – Associação Automóvel de Portugal relativamente à produção e montagem automóvel em Portugal, no total do ano de 2025 foram produzidos 341.361 automóveis, dos quais 269.468 são veículos ligeiros de passageiros, 68.809 ligeiros de mercadorias, 66 de pesados de passageiros e 3.018 pesados de mercadorias. Filtrando apenas pelos veículos profissionais, tanto ligeiros como pesados, foram produzidas 71.893 unidades.
Indo ao detalhe permitido pelos dados disponibilizados pela ACAP, a fábrica da CaetanoBus em Vila Nova de Gaia, especializada no fabrico de autocarros, produziu 66 veículos, tendo a Mitsubishi Fuso Truck Europe, no Tramagal, produzido 3.128 veículos ligeiros e 3.018 pesados. Já a fábrica da Stellantis em Mangualde produziu um total de 91.662 viaturas, das quais 29.068 ligeiros de passageiros e 62.594 ligeiros de mercadorias. Por fim, a Toyota Caetano em Ovar produziu 3.033 ligeiros de mercadorias, e a Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, 240.400 ligeiros de passageiros.
Relativamente aos tipos de energia, é possível determinar que num total de 269.468 de ligeiros de passageiros produzidos em Portugal, 208.127 são a gasolina, 61.146 a gasóleo, 95 híbridos a gasolina e 100 totalmente elétricos. Nesta última categoria, 50 são da Citroën, 23 da Opel e 27 da Peugeot. Indo aos detalhes na categoria de ligeiros de mercadorias, das 68.809 unidades produzidas, 64.315 foram a gasóleo, 3.835 a gasolina e 659 elétricas, entre as quais 437 são da Citroën, 120 Peugeot, 84 Opel e 18 Fiat.
A nível de pesados, das 3.084 viaturas produzidas ao longo de 2025, 66 foram da Toyota Caetano e 3.018 da Fuso Mitsubishi, sendo essas maioritariamente a gasóleo (2.856), e as restantes 183 elétricas e 45 a hidrogénio. Relativamente a modelos montados (finalizados em Portugal), todas as 285 unidades registadas pertenceram à CaetanoBus, sendo 232 unidades alimentadas por uma motorização a gasóleo e 52 totalmente elétricas, das quais 20 unidades e.CityGold já foram entregues à STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto), num total de 63 encomendadas.
Modelos actualmente em produção
No que toca aos modelos já produzidos em Portugal, a fábrica da Stellantis em Mangualde é uma referência nacional, ao produzir um total de 8 versões 100% elétricas de modelos profissionais de marcas do grupo, como a Citroën, Peugeot, Opel e Fiat. Entre os modelos produzidos temos os populares Citroën ë-Berlingo (na versão de passageiros e mercadorias), Fiat e-Doblò, Opel Combo-e, Peugeot e-Partner e e-Rifter.
Recordamos que estes modelos já estão a ser produzidos lado a lado com as suas variantes com motor a combustão desde outubro de 2024, sendo uma das poucas fábricas a nível mundial com esta capacidade. Este feito envolveu um investimento de 119 milhões de euros, tendo a fábrica portuguesa chegado a antecipar o objetivo da agenda mobilizadora “GreenAuto” da Stellantis, que previa o início da produção de modelos elétricos só a partir de 2025.
Já a fábrica da Fuso Mitsubishi Trucks Europe no Tramagal, inaugurada em 1980, atingiu a neutralidade carbónica em 2022, meta anteriormente estabelecida pela “casa mãe” da unidade fabril nacional, a Daimler Truck AG. É nesta unidade que é produzida desde 2022 a eCanter, o primeiro camião elétrico produzido em série em todo o mundo. Este modelo está disponível em duas variantes de cabine, três capacidades de bateria (que garantem entre 70 a 200 km de autonomia), seis distâncias entre eixos e quatro categorias de peso.
Com capacidade para até 16 europaletes, a eCanter é uma referência mundial em viaturas profissionais elétricas para os pontos finais de muitas cadeias de distribuição, ou seja, no interior das cidades. Já em Ovar, a fábrica da Toyota Caetano celebrou em 2021 os 50 anos de produção de viaturas da marca nipónica em Portugal, tendo esta a particularidade de ter sido a primeira fábrica Toyota fora do Japão.
Nesta fábrica é ainda produzida a mítica série Land Cruiser 70, assim como o Accessible People Mover (APM), um veículo de mobilidade elétrica inclusiva, que foi utilizado para transportar público, organização e atletas durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris em 2024. Mas é na unidade da CaetanoBus, em Vila Nova de Gaia, que se encontra a grande aposta do grupo Salvador Caetano, a CaetanoBus, onde é produzida uma nova geração de autocarros de Zero-Emissões.
Estamos a falar na linha de autocarros e.City Gold totalmente elétricos, disponíveis nas variantes de 8,5, 12 e 18 metros de comprimento, assim como os H2.City Gold movidos a hidrogénio, estando este disponíveis nas variantes de 12 e 18 metros, assim como 18 BRT, uma solução optimizada para utilização em vias dedicadas BRT (Bus Rapid Transit).
Se costuma andar de avião com frequência, o mais provável é já ter andado num outro autocarro que é um dos pilares da fábrica da CaetanoBus, os Cobus. Estes modelos são produzidos para a Cobus Industries, uma marca especializada em veículos para aeroportos, tendo sido já vendidos mais de 4.700 autocarros, que estão em operação em mais de 350 aeroportos em 110 países.
Neste momento, a CaetanoBus está a desenvolvimento o novo e.Cobus, um autocarro totalmente elétrico de 12 e 14 metros de comprimento, e 2,7 e 3 metros de largura, tornando-se assim no mais espaçoso e volumoso autocarro alguma vez utilizado em aeroportos. Igualmente relevante é a unidade e.Start, que corresponde à reconversão de um autocarro Cobus a diesel para uma unidade totalmente elétrica. Também na lista de projetos está o Cobus Hydra, que será o primeiro autocarro para aeroportos movido a hidrogénio.
E quanto aos componentes?
Tão relevante quanto a produção de veículos está a produção de componentes que serão utilizados por toda a indústria. Um exemplo disso é a Horse Aveiro, antigamente conhecida como sendo a Fábrica da Renault em Cacia, mas que agora faz parte da Joint Venture entre o Grupo Renault e a Geely. Esta unidade, inaugurada em 1981, foi durante anos essencial para o Grupo Renault para a produção de componentes para motores e caixas de velocidades.
Neste momento é fabricado um motor elétrico compacto que é utilizado em várias viaturas híbridas e híbridas plug-in da Renault, Dacia e Nissan, entre outros. A produção deste motor, que ocorreu no inicio do ano passado, obrigou à adaptação de quatro linhas de montagem, que estão agora preparadas para uma produção anual de 160.000 unidades.
Não nos podemos esquecer da Bosch em Braga, que é fornecedora de inúmeros componentes para fabricantes em todo o mundo. Estamos a falar em soluções como os inovadores painéis de instrumentos para marcas alemãs, sistemas de ajuda na condução e de condução autónoma, sem esquecer sistemas de segurança e conectividade.
O que nos reserva o futuro em termos de projetos nacionais?
Portugal tem-se afirmado como um polo dinâmico na reinvenção da mobilidade, cruzando o legado industrial com o desenvolvimento tecnológico sustentável. No centro desta revolução está a Tuga Innovations, que desenvolve um veículo elétrico de três rodas focado no conceito de "Mobilidade como um Serviço" (MaaS), planeando expandir a sua atuação do asfalto para o espaço aéreo com soluções eVTOL.
A este esforço de engenharia nacional junta-se o BEN (Bio-Electric Network), o primeiro carro elétrico português a obter luz verde para circular nas estradas europeias. Desenvolvido pela CEiiA, este apresenta um formato e dimensões similares a modelos como o Citroën Ami, ao oferecer uma versatilidade interior pouco invulgar, como a configuração de até três lugares, e uma capacidade de carga que oscila entre os 100 a 400 litros. A sua produção em massa deverá iniciar-se no presente ano.
Paralelamente, a icónica Famel renasce com a E-XF, convertendo o seu design histórico para a propulsão elétrica e atraindo novas gerações com duas variantes distintas, uma de formato clássico e a Café Racer. Equipada com um motor de 5.5 kW de potência (7,5 cv), esta é capaz de atingir os 100 km/h e garantir uma autonomia até 120 km. Tem um preço de lançamento de 6.500 euros, estando prevista a entrega das primeiras unidades já durante o primeiro semestre de 2026.
Referência ainda para a Adamastor, que embora focada no desenvolvimento de supercarros de alta performance, coloca a engenharia de precisão portuguesa no mapa global com o Adamastor Furia. Trata-se de um supercarro desenvolvido inteiramente em fibra de carbono de motor central e tração traseira, com 1050 kg de peso total, e uma motorização a combustão Ford V6 3.5 biturbo com 650 cv e 571 Nm de binário.
Por fim, não podemos deixar de referir que aquela que é a maior empresa exportadora nacional e com maior impacto na economia portuguesa, a Volkswagen Autoeuropa. Esta anunciou em Setembro passado que irá receber a produção em série do novo VW ID.1, o futuro modelo de entrada da gama de veículos elétricos da marca alemã. Já o actual T-Roc, o SUV que tem vindo a ser produzido em Portugal e que chega agora à segunda geração, este passará a estar disponível somente com motorizações eletrificadas e totalmente elétrica, mas esta última será produzida na fábrica da Wolfsburg, na Alemanha.
Em Palmela, o T-Roc despede-se da motorização de entrada 1.0 TSI e do popular TDI, passando a dominar uma só motorização 1.5 TSI electrificada. Esta motorização a gasolina será auxiliada por um sistema Mild Hybrid de 48v, e uma versão Full Hybrid, que permitirá uma redução nos consumos e emissões de 15% face ao Mild Hybrid. Estas motorizações serão fundamentais para o Grupo Volkswagen cumprir as exigentes metas de emissões exigidas pela União Europeia.
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