Recentemente, o Conselho da União Europeia adotou uma alteração às regras da Empresa Comum para a Computação Europeia de Alto Desempenho (EuroHPC JU), que entrou em vigor na semana passada, concebida para facilitar a criação de gigafábricas de IA na Europa, que se afirmam como um dos pontos-chave do AI Continent Action Plan apresentado pela Comissão Europeia em abril do ano passado.
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O plano do executivo comunitário passa por instalar cinco fábricas de grande escala, impulsionadas por um investimento de 20 mil milhões de euros e equipadas com cerca de 100.000 chips de IA avançados, integrando data centers e elevadas capacidades de computação para desenvolver modelos de IA complexos.
Depois de ter recebido 76 manifestações de interesse, de 16 Estados-membros e relacionadas com 60 localizações diferentes, incluindo de Portugal, a Comissão Europeia prepara-se para abrir o concurso oficial para a instalação das gigafábricas de IA, num processo inicialmente previsto para o final do ano passado, mas que acabou por ser adiado para fevereiro.
Mas, o desafio das gigafábricas vai além do campo da política e, em entrevista ao TEK Notícias, Pedro Teixeira, Cloud & Infra Director da Claranet Portugal, realça que há todo um ecossistema complexo que é necessário para assegurar a execução tecnológica destas infraestruturas.
“A construção de uma gigafábrica implica muita coisa” e, nesse sentido, energia, refrigeração e conectividade afirmam-se como três pilares que é necessário ter em consideração.
Às questões associadas ao local de instalação, juntam-se ainda elementos como “software, talento qualificado, políticas públicas inteligentes e a cooperação público-privada”, que, tal como explica o responsável, precisam de estar alinhados para assegurar o sucesso dos projetos.
“Estamos a falar de projetos que, desde a sua fase de construção, podem levar até 7 anos. Numa fase já avançada, onde entramos com a infraestrutura propriamente dita, estamos a falar de dois a três anos”, detalha Pedro Teixeira.
Apesar da complexidade, “a Europa não pode parar enquanto estes projetos surgem”, defende. “A Europa é conhecida por não ser muito flexível na sua execução e tem de haver aqui uma mudança se queremos ser realmente competitivos face ao resto do mundo”.
Para o responsável, iniciativas como as das gigafábricas de IA têm o potencial de reduzir a dependência europeia de países como os Estados Unidos ou China, sobretudo, tendo em conta a realidade geopolítica em que vivemos neste momento.
“A soberania é, sem dúvida, um ponto urgente. O controlo de onde estão os dados e da infraestrutura de IA deixou de ser opcional: é imperativo e estratégico”, realça.
A democratização afirma-se como outro ponto fundamental para “garantir que todas as empresas, e não só as Big Tech, têm acesso a este tipo de tecnologia”.
Na visão de Pedro Teixeira, a Europa tem o talento para abordar a execução das gigafábricas. “Já o provámos em diversas outras iniciativas, não só ligadas ao campo da IA, mas também noutras áreas tecnológicas e científicas”.
“Já estamos a fazer esse caminho”, afirma o responsável, lembrando que a Europa conta já com 19 fábricas de IA instaladas, às quais se juntam três supercomputadores de referência mundial, com o JUPITER (Alemanha), o LUMI (Finlândia) e o Leonardo (Itália).
Que "trunfos" tem Portugal?
Em junho do ano passado, foi apresentada a Bruxelas uma proposta com vista à instalação de uma gigafábrica de IA em Sines, num projeto liderado pelo Banco Português de Fomento (BPF) que rondava os 4 mil milhões de euros.
Mas Portugal não quer concorrer sozinho na corrida às gigafábricas de IA e, como avançado por Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial, o país vai avançar com uma candidatura conjunta com Espanha.
Embora ainda não sejam conhecidos mais detalhes sobre as alterações que podem surgir no projeto português, Pedro Teixeira considera que o país tem vários “trunfos” importantes, a começar pelos três pilares essenciais para o desenvolvimento destas infraestruturas.
No que toca à energia, “o maior custo operacional de ter este tipo de infraestrutura”, “Portugal tem um ponto estratégico de energia renovável barata e abundante”, afirma.
Já a localização em Sines é estratégica no que respeita à questão da refrigeração e, quanto à conectividade, o responsável detalha que “tendo acesso aos cabos submarinos intercontinentais e à fibra óptica de alta velocidade, Portugal é sem dúvida um ponto estratégico para a aplicação deste tipo de abordagem”.
No que toca à cooperação público-privada, Pedro Teixeira destaca que esta cooperação "vem trazer para cima a necessidade de organismos públicos olharem para as organizações privadas e perceberem que estas têm em si um conhecimento profundo do mercado local, um suporte em português, a conformidade automática com a legislação nacional e a sensibilidade às preocupações específicas de cada sector".
"É aqui também que o sector privado, especialmente o português, vai ter o seu papel nesta colaboração. Felizmente o talento não falta em Portugal”, sublinha.
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