Não é a primeira vez que a comissária responsável pela soberania tecnológica, segurança e democracia destaca a necessidade de reforçar a defesa europeia face ao número crescente de ciberataques, mas na Conferência de Segurança de Munique (Munich Security Conference), que terminou ontem, deixou bem clara a necessidade de uma capacidade ofensiva.

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"Não é suficiente que apenas nos estejamos a defender... Temos de ter também capacidade ofensiva", afirmou Henna Virkkunen numa entrevista ao Político, à margem da conferência que reuniu os responsáveis pela segurança e defensa dos principais países. A ideia é desenvolver uma indústria de tecnologia e cibersegurança e reduzir a dependência das soluções de outros países

Nos últimos anos a União Europeia tem mantido uma postura mais cautelosa nesta área, mas alguns países dos 27 já começaram a desenvolver operações mais ofensivas nesta área. No ano passado o  Conselho da União Europeia deu conta de uma nota de condenação contra as "campanhas híbridas persistentes da Rússia contra a União Europeia, os Estados membros e os seus parceiros" e prometeu combater estes ataque com determinação.

A comissária admitiu que Comissão Europeia está a identificar áreas e sectores críticos onde a Europa quer ter mais controlo sobre os seus dados, num claro reforço da soberania tecnológica e da redução da dependência de tecnologia estrangeira.

“Não queremos ter dependências arriscadas em nenhuma área crítica”, disse ela. “Isto não significa que planeamos fazer tudo sozinhos. Quando não temos determinadas capacidades, estamos muito dispostos a trabalhar com parceiros que partilhem os mesmos ideais para construir cadeias de abastecimento resilientes”, afirmou à mesma fonte.
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Em janeiro o executivo europeu revelou planos para reforçar a cibersegurança da União Europeia, proibindo o uso de equipamentos de fabricantes chineses em redes de telecomunicações e em outras infraestruturas críticas. Mas as empresas norte americanas também estão na mira e durante a conferência de Munique os representantes dos Estados Unidos apelaram mesmo à separação das águas, dizendo que a Europa tem de se preocupar com a China e não com as tecnológicas norte americanas, em especial as gigantes de cloud.

Sean Cairncross, diretor nacional de cibersegurança dos Estados Unidos, afastou a ideia de que Donald Trump pode "desligar a ficha da Internet" e durante a sua intervenção na conferência defendeu que a Europa e os EUA enfrentam "o mesmo ripo de ameaças e os mesmos atacantes".

O relatório Munich Security Report 2026, apresentado antes da conferência, afirma que a ordem mundial estabelecida depois da 2º guerra Mundial está a ser desmantelada de forma ativa por uma "política de destruição" por poderes revisionistas e movimentos nas democracias ocidentais. Donald Trump é apontado como o principal responsável, renunciando a elementos centrais das estratégias e políticas tradicionais dos Estados Unidos em matéria de relações internacionais.

A conferência contou com mais de 60 chefes de estado e de Governos, e cerca de 100 ministros da Defesa, reunidos em Munique entre os dias 13 e 15 de fevereiro, com mais de mil delegados de 120 países.

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