Depois de colocar neurónios a jogar Pong a Cortical Labs lançou o CL1 no ano passado, descrito como o primeiro computador biológico comercial. Agora, a startup australiana conseguiu demonstrar que os neurónios humanos que “alimentam” o seu computador também conseguem jogar Doom.

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Num novo vídeo partilhado no YouTube, a empresa explica que o projeto foi desenvolvido em colaboração com Sean Cole, um investigador independente, através da API da Cortical Labs.

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Como detalha Brett Kagan, Chief Scientific Officer (CSO) e Chief Operating Officer (COO) da empresa, conseguir colocar neurónios a jogar Pong foi um “marco enorme”, se bem que o processo tenha demorado mais de 18 meses com o hardware e software originais.

Por outro lado, Doom é mais complexo do que Pong e a startup teve que “traduzir” o mundo digital do jogo para a linguagem biológica dos neurónios, que é a eletricidade.

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Os investigadores criaram a CL API para que qualquer utilizador possa interagir com as células vivas no CL1 através de comandos simples de Python. Através dela, Sean Cole conseguiu mapear o fluxo de vídeo do jogo em padrões de estimulação elétrica, explica David Hogan, Chief Technology Officer (CTO) da empresa.

Os neurónios integrados no CL1 conseguem receber informação, enviar comandos para mover o protagonista do jogo, bem como encontrar inimigos e disparar, mas não ao nível de um jogador experiente.

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Brett Kagan explica que, neste momento, as células jogam como “um principiante que nunca viu um computador”. Ainda há muito trabalho a fazer, e, agora, os próximos passos envolvem, por exemplo, melhorar os métodos de aprendizagem.

A Cortical Labs quer também desafiar a comunidade a ver o que conseguem fazer com a nova plataforma, convidando programadores e investigadores encontrarem novas formas de explorar a API desenvolvida, assim como a Cortical Cloud.

Mas a Cortical Labs quer ir mais além do que experiências com videojogos e está a trabalhar em dois datacenters "alimentados" por neurónios. Como avança a Bloomberg, o primeiro centro de dados está localizado em Melbourne, na Austrália, com um segundo a ser desenvolvido em parceria com a DayOne Data Centers em Singapura.

O centro de dados em Melbourne estará equipado com um total de 120 c0mputadores CL1. Já o datacenter em Singapura contará com cerca de mil computadores, implementados de forma faseada, indica Hon Weng Chong, fundador e CEO da Cortical Labs.

Recorde-se que o CL1, oficialmente lançado durante o Mobile World Congress 2025, em Barcelona, combina neurónios cultivados em laboratório a partir de células estaminais humanas com chips.

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Os neurónios são cultivados numa solução que contém todos os nutrientes necessários para a sua sobrevivência. As células cerebrais desenvolvem-se depois num chip, que envia e recebe impulsos elétricos.

Segundo a empresa, os neurónios existem num mundo simulado que é criado pelo seu sistema operativo de inteligência biológica, chamado biOS. O sistema operativo executa a simulação, enviando informação diretamente para as células cerebrais acerca do seu ambiente. Ao reagirem ao envio de informação, os impulsos dos neurónios impactam o seu mundo simulado.

Os computadores CL1 são desenvolvidos especialmente para laboratórios e instituições de investigação que sejam capazes de cultivar células cerebrais e cada modelo, com um preço a rondar os 35.000 dólares, é fabricado por encomenda.

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