A Meta está a desenvolver óculos equipados com inteligência artificial que poderão servir como uma camada adicional de suporte cognitivo, capazes de interpretar o que está à frente do utilizador, responder a comandos de voz e ajudar a recuperar informação esquecida nas tarefas do quotidiano. O projeto mais recente foca-se na utilização destes dispositivos por pessoas com dificuldades de memória.
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Em testes conduzidos com as lentes ainda em protótipo Aria Gen 2, os óculos servem como uma espécie de “memória auxiliar”. Equipados com microcâmaras, microfones e sensores avançados, conseguem captar o contexto visual e sonoro do ambiente e associá-lo a pedidos feitos em linguagem natural. A partir daí, a IA pode ajudar a recordar tarefas pendentes, identificar onde foi deixado determinado objeto ou recuperar informação associada a momentos anteriores do dia.
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Num dos programas de colaboração, desenvolvido com a Oscar Mike Foundation, organização que apoia veteranos com lesões cerebrais, os participantes testaram funcionalidades orientadas para a gestão de rotinas e para o reforço da autonomia.
A tecnologia permite que pedidos simples, feitos por voz, desencadeiem respostas contextualizadas, reduzindo a necessidade de recorrer a notas dispersas, aplicações móveis ou lembretes manuais. O objetivo não é substituir a memória humana, mas diminuir a carga cognitiva associada às pequenas tarefas do dia a dia.
Paralelamente às versões experimentais, os modelos comerciais, como os Meta Ray-Ban, já integram várias capacidades que apontam para essa mesma lógica de assistência contínua.
Este modelo permite captar fotografia e vídeo, realizar chamadas e enviar mensagens sem recurso às mãos, mas a componente mais relevante é a integração do assistente de IA multimodal. Através dele, é possível pedir descrições do ambiente envolvente, obter leitura de texto em voz alta ou esclarecer dúvidas sobre objetos que estejam no campo de visão. Para pessoas com visão limitada, esta funcionalidade pode representar um apoio significativo na interpretação do espaço e na leitura de informação impressa.
Outra vertente importante é a assistência em tempo real. Em determinados contextos, os óculos podem ligar o utilizador a um voluntário que vê, remotamente, o que está a ser captado pela câmara, permitindo apoio imediato em situações práticas.
A tecnologia inclui ainda tradução de fala quase em tempo real, ampliando a acessibilidade linguística, e integração com equipamentos de atividade física, como dispositivos da Garmin, possibilitando acompanhar métricas de treino sem necessidade de consultar um ecrã externo.
Do ponto de vista técnico, estes dispositivos assentam em modelos de IA capazes de combinar visão computacional e processamento de linguagem natural. A análise do contexto visual permite à IA identificar objetos, reconhecer texto e interpretar cenas; a componente conversacional transforma essa informação em respostas úteis, apresentadas por áudio.
Para versões futuras, a Meta tem vindo a explorar a integração de pequenos ecrãs no próprio campo de visão, capazes de apresentar mensagens, indicações de navegação ou legendas em tempo real, aproximando o conceito de realidade aumentada funcional.
O foco nas capacidades cognitivas, e não apenas na captação de imagem ou entretenimento, marca uma mudança relevante na estratégia da Meta. A intenção é que os óculos deixem de ser apenas uma câmara portátil ou um auricular avançado e passem a assumir um papel potencialmente estruturante na organização da informação pessoal e na gestão da autonomia diária.
Segundo a empresa, o trabalho próximo com comunidades afetadas por perda de memória tem permitido desenvolver soluções que ajudam as pessoas a manterem-se presentes nas interações, a gerir tarefas quotidianas com maior facilidade e a recordar o que consideram mais importante.
As lentes de investigação Aria Gen 2 enquadram-se nesse esforço de tornar a tecnologia mais acessível, assegura a Meta, num processo que envolve investigadores, organizações e pessoas com deficiência, com o objetivo declarado de integrar uma perspetiva humana no desenvolvimento da inteligência artificial e responder a necessidades diversas.
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