A par do lançamento de novos smartphones e de novidades em áreas como processadores, gadgets e robótica, no MWC26, em Barcelona, as atenções também estiveram centradas nas novas fronteiras da inovação em telecomunicações, com foco nas redes por satélite, mas também nas comunicações e tecnologias quânticas.

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No ano passado, a Starlink já tinha feito um pedido de registo da marca Starlink Mobile e, no MWC26, a empresa de Elon Musk “levantou o véu” do projeto.

Como detalhado por Michael Nicolls, Vice-presidente de engenharia da Starlink na SpaceX, em 2024, a empresa começou a lançar a sua constelação Direct-to-Cell (D2C) que, agora, se passa a chamar Starlink Mobile.

“O objetivo do Starlink Mobile é ligar-se a smartphones convencionais, sem qualquer modificação, em qualquer parte do mundo”, indicou o responsável durante o keynote da empresa.

MWC26 | Keynote SpaceX
MWC26 | Keynote SpaceX Michael Nicolls, Vice-presidente de engenharia da Starlink na SpaceX, durante o keynote da SpaceX no MWC26

Quando o serviço foi lançado, cerca de 20% da área terrestre dos Estados Unidos e 90% da superfície da Terra não tinham cobertura móvel terrestre. “O Starlink Mobile vem colmatar essas lacunas”, afirmou, acrescentando que, 18 meses depois, a implementação da primeira geração da constelação, com 650 satélites, está concluída.

A SpaceX está a preparar-se para lançar uma segunda geração de satélites, chamada V2, que, segundo o responsável, tem como objetivo disponibilizar uma experiência de conectividade semelhante à das redes terrestres 5G de alto desempenho.

De acordo com Michael Nicolls, o serviço deverá ser compatível com a maioria dos smartphones nos Estados Unidos, com lançamento previsto para meados de 2027.

Na Europa, os serviços de telecomunicações por satélite também estão a ganhar cada vez mais relevância, incluindo no que toca à conectividade Direct-to-Device (D2D).

A OQ Technology, por exemplo, é uma das primeiras empresas europeias a operar uma constelação de satélites em baixa órbita dedicada a serviços D2D e, recentemente, assegurou um financiamento de 25 milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para reforçar a sua rede.

Ao TEK Notícias, Priit Rohusaar, Core Network Engineer da OQ Technology, recorda que a empresa foi a primeira operadora europeia de satélites a transmitir uma mensagem de emergência direta para smartphones convencionais em 2025.

Integrada no New Frontiers, a empresa sediada em Luxemburgo quer fazer frente aos grandes players norte-americanos e levou para o MWC26 uma demonstração desta tecnologia em smartphones Pixel da Google.

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“Há muito interesse nas redes não terrestres”, realça. “Há uns anos ninguém sabia o que eram e, agora, há um grande ‘hype’ e muitos novos players a estrearem-se no mercado”.

A espanhola Sateliot também tem planos para desenvolver uma constelação de satélites na órbita baixa da Terra com o objetivo de levar serviços D2D e conectividade 5G IoT a todas as partes do mundo.

“Atualmente existem muitas aplicações que precisam de conectividade, mas não conseguem ligar-se precisamente porque não há cobertura celular”, explica Joel Valdés, da área de 5G IoT Business Development da Sateliot, ao TEK Notícias.

“Estamos a expandir o protocolo de conectividade 5G ao Espaço, permitindo que os mesmos dispositivos que se ligam às redes terrestres possam também ligar-se a satélites e manter ligação nos 80% do planeta que não têm cobertura de torres móveis”, detalha.

MWC26 | New Frontiers
MWC26 | New Frontiers

A empresa já tem seis satélites em órbita, que conseguem “dar resposta a casos de uso de IoT narrowband”, e planeia lançar mais cinco este ano. Para 2027, a Sateliot quer colocar no Espaço satélites de nova geração, que vão permitir “suportar tanto aplicações de IoT como casos de uso de conectividade de banda larga”, indica Joel Valdés.

Já a britânica Open Cosmos aproveitou o MWC26 para anunciar a ConnectedCosmos, uma nova constelação na órbita baixa da Terra concebida para oferecer comunicações seguras a empresas e entidades governamentais, combinando ligações diretas de banda larga com conectividade D2D IoT.

De acordo com informação partilhada pela empresa com o TEK Notícias, a constelação será capaz de ligar as capacidades de observação da Terra, atualmente integradas na Open Constellation, a uma nova infraestrutura de conectividade soberana para disponibilizar dados em tempo real onde forem necessários.

Ao longo deste ano, a empresa, que também tem presença em Portugal, quer continuar a acelerar o desenvolvimento da constelação com novos lançamentos de satélites.

MWC26 | New Frontiers
MWC26 | New Frontiers

Do Espaço voltamos à Terra com o projeto Quantum Flagship, uma iniciativa da Comissão que quer “reforçar a liderança europeia em tecnologias quânticas”, explica Patricia An Peña Hernández, Communications Officer do QSNP (Quantum Secure Networks Partnership), ao TEK Notícias.

O projeto, que começou há mais de 10 anos, entra agora na sua segunda fase, envolvendo mais de mil milhões de euros e mais de 5.000 investigadores, startups e instituições. A par da computação quântica, o Quantum Flagship inclui também iniciativas na área das comunicações, que se afirmam, aliás, como um dos seus quatro pilares. 

O QSNP, por exemplo, está a desenvolver uma desenvolver tecnologia de criptografia quântica para proteger a transmissão de informação online e, entre a sua lista de 42 parceiros, inclui entidades portuguesas, como o Instituto de Telecomunicações e o Instituto Superior Técnico.

MWC26 | New Frontiers
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Este ano, o TEK Notícias volta a percorrer a feira em Barcelona em busca das grandes novidades e das propostas mais inovadoras, acompanhando os principais anúncios e tendências. Pode seguir tudo com o nosso Especial dedicado ao MWC 2026.

Veja as imagens que a equipa do TEK está a captar por dentro da feira, e que vamos continuar a atualizar nos próximos dias

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