O primeiro smartphone da marca finlandesa foi lançado em 2013 e provavelmente a maior parte das pessoas nunca ouviu falar da Jolla, uma das fabricantes que na última década tentou diferenciar-se no mercado dos smartphones, combatendo o domínio avassalador da Google e da Apple, com equipamentos de marca própria e um sistema operativo, o Sailfish. Agora a empresa está a apostar num regresso, com o Jolla Phone, que mostrou no MWC26.

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O nome da empresa pronuncia-se Holla ou Olá, em espanhol e português, como explicou ao TEK Notícias Leo Rinne, um dos responsáveis de vendas do grupo para a Europa, e a história da empresa e do desenvolvimento do Sailfish é longa e com várias ramificações. A Jolla foi criada por antigos funcionários da Nokia que pegaram no MeeGo, o software abandonado pela marca finlandesa, para criar o sistema operativo Sailfish e no MWC de 2015 apresentou o Sailfish OS com versão para tablet, que o TEK experimentou

Mas depois disso, um acordo com o governo da Rússia cedeu a plataforma para a criação do Mobile OS Aurora, um sistema que se pretendia que substituísse o Android e o iOS, o que nunca aconteceu. Em 2021 a Jolla afastou-se da parceria, mas também quase caiu no esquecimento.

Agora a empresa está a apostar num regresso, e no final do ano passado anunciou um novo smartphone, que esgotou as primeiras 2.500 unidades em menos de 48 horas. Uma nova fase de pré-encomendas terminou a 28 de fevereiro de 2026 e conseguiu chegar às 10 mil unidades, com mais de 5 milhões de euros de compromisso, estando agora a decorrer mais uma campanha para mil unidades, com entrega prevista em setembro.

Veja as imagens do Jolla Phone

Jolla Phone: hardware em beta e sistema operativo mais seguro

O novo smartphone já tinha sido anunciado mas o MWC26 foi o primeiro grande evento onde o Jolla Phone esteve em exposição, embora ainda em formato "beta", com algumas arestas para limar, como verificou o TEK Notícias. Aliás, durante o tempo em que estivemos no pequeno stand, integrado no pavilhão da Finlândia, o próprio telefone foi trocado, com a indicação de que "estamos a fazer atualizações permanentes".

A ideia é a mesma de base desde o início do projeto. O sistema operativo é baseado em Linux e é uma das quatro plataformas móveis comerciais que restam, além do Android da Google e iOS da Apple, e do HarmonyOS da Huawei. E quer afirmar-se como o único sistema europeu, uma "imagem de marca" importante numa altura onde se agravam as tensões geopolíticas e a União Europeia defende o reforço da soberania tecnológica. Mas mesmo assim o desenvolvimento não conta com fundos europeus, como confirmou um dos responsáveis da Jolla ao TEK.

O mote da Jolla passa pela combinação da privacidade, abertura e defesa de soberania tecnológica, com a montagem final dos equipamentos a decorrer em Salo, na Finlândia, a mesma cidade onde a Nokia também desenvolvia os seus equipamentos.

A empresa garante que o seu sistema operativo não envia dados em background, não tem analíticas escondidas e não precisa de criar uma conta para ser usado. Tem também um botão físico para privacidade que permite desligar os microfones e a câmara, ou outros sensores.

O equipamento vem de base com um número reduzido de aplicações instaladas e não tem uma loja de apps, mas os utilizadores podem correr aplicações Android através da tecnologia AppSupport desenvolvida pela Jolla, que permite instalar aplicações de mensagens, música e homebanking, ou mesmo o Google Maps, como o TEK teve oportunidade de verificar.

"Não precisamos de copilar o Silicon Valley ou Shenzhen para criar bons produtos, precisamos de construir produtos que são genuinamente nossos. É isso que a Jolla está a fazer e estamos apenas a começar", defende Antti Saarnio, presidente do Conselho de Administração da Jolla.

O smartphone conta com um ecrã de 6,36 polegadas, HD+ AMOLED, um processador MediaTek Dimensity 7100 5G  e a memória é de 8 a 12 GB com 256 GB de espaço de armazenamento. A câmara principal é de 50 MP, com sensor Sony, acompanhada de uma grande angular adicional de 13 MP, e a bateria é de 5.450 mAh, sendo acessível ao retirar a tampa traseira e permitindo a substituição pelo utilizador, o que é uma possibilidade cada vez mais rara.

O Jolla Phone vai estar disponível na União Europeia, na Noruega, Reino Unido e Suíça, e as primeiras entregas começam em Junho de 2026. Quem encomendar o telemóvel nesta nova fase de pré-encomendas só recebe o equipamento em setembro e vai ter de pagar 649 euros.

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