No final do passado mês de janeiro os rumores alertavam para a possibilidade de uma fusão entre a SpaceX, a Tesla e a xAI, e que todos os cenários estavam em aberto. Hoje o cenário mais óbvio e ambicioso acabou por se materializar, com a SpaceX a adquirir a xAI. Através desta operação, a SpaceX torna-se assim na empresa privada mais valiosa do planeta, ao atingir um valor de 1,25 biliões de dólares.
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O anúncio foi feito por Elon Musk, CEO de ambas as empresas, num comunicado publicado no site da SpaceX, onde descreveu a nova entidade como a maior "fábrica de inovação verticalmente integrada no planeta Terra", combinando inteligência artificial (IA), foguetões, internet baseada em satélites, comunicações diretas para dispositivos móveis e a plataforma de redes sociais X.
A lógica por trás da fusão é, na sua essência, pragmática e ambiciosa ao mesmo tempo. A xAI, que também é dona da rede social X desde a fusão do início de 2025, estava a consumir cerca de mil milhões de dólares por mês para tentar acompanhar gigantes como a OpenAI e a Google no mercado da inteligência artificial. A SpaceX, por outro lado, gerou cerca de oito mil milhões de dólares de lucro em 2025, numa empresa que já vale perto de 800 mil milhões de dólares. A combinação é, na prática, uma forma de financiar as ambições da xAI através dos resultados financeiros sólidos da SpaceX.
Mas o plano de Musk vai muito mais longe do que a mera sobrevivência financeira da xAI. O verdadeiro objetivo, segundo o próprio CEO, é o de construir data centres em orbita, utilizando a energia solar no espaço para alimentar a exigente computação de IA. "A minha estimativa é que, em dois a três anos, a forma mais barata de gerar computação de IA será no espaço", escreveu Musk no comunicado. A SpaceX já pediu autorização à FCC para lançar satélites dedicados a este fim, numa constelação que poderá crescer até um milhão de unidades.
A Tesla fica, por enquanto, fora desta equação. Isto apesar de a empresa ter investido cerca de dois mil milhões de dólares na xAI no mês anterior, um movimento que já gerou polémica entre os acionistas da marca automóvel. Com a fusão SpaceX-xAI, esse investimento da Tesla torna-se, na prática, uma participação indireta na nova entidade combinada. O retorno desse investimento e as implicações para os acionistas da Tesla continuam por esclarecer.
O negócio surge na véspera de um dos mais antecipados IPO da década. A SpaceX tem estado a preparar a sua entrada pública no mercado, estimada para mais tarde este ano, numa operação que poderá levantar até 50 mil milhões de dólares. A fusão com a xAI vasta a transformar um IPO já histórico num evento ainda mais significativo, permitindo aos investidores aceder simultaneamente a uma empresa líder no espaço e a um fornecedor de modelos de IA de vanguarda.
Não faltam, no entanto, as vozes críticas quanto à ideia da fusão, uma vez que a xAI e o seu chatbot Grok já estão sob investigação em múltiplas jurisdições internacionais, na sequência de polêmicas com imagens geradas por inteligência artificial. Alguns ex-colaboradores já expressaram preocupações com um potencial choque de culturas entre as duas empresas, dado que a xAI orgulha-se de uma filosofia de trabalho rápida e flexível, muito diferente da estrutura mais consolidada da SpaceX.
O que é certo é que Elon Musk está a reorganizar o seu império empresarial de forma clara, com a SpaceX, xAI e X de um lado, juntando o Espaço, IA e redes sociais, e a Tesla do outro, focada em veículos elétricos, soluções de energia e robótica. Esta aposta colossal poderá, por um lado, ser desastrosa, como pode vir a revelar-se como algo genial, algo que já tem vindo a ser habitual no passado recente dos negócios de Elon Musk.
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