Notificações constantes, quer por culpa do trabalho, do nosso círculo de amigos ou familiares ou das inúmeras apps instaladas, são já uma realidade para a maior parte das pessoas que utilizam gadgets. No entanto, essa atenção toda pode ter um impacto na saúde, não só na saúde mental, mas também na memória, avança uma nova investigação da Universidade Estadual de Ohio.

Publicado no final de agosto no Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, no estudo participaram dezenas de pessoas que receberam uma tarefa simples: olhar para uma tela de quatro quadrados coloridos. Um deles esteve delimitado por uma cor branca e era precisamente nesse que os participantes deveriam ter uma especial atenção. Depois de os elementos piscarem na tela por apenas uma décima de segundo, o participante teria de escolher a cor de que se recordava entre todas aquelas cores, com base nos pontos que estavam a piscar.

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Apesar da velocidade bastante rápida dessa tarefa, o cérebro humano destacou-se nessa tarefa. "As pessoas são muito boas nisso, surpreendentemente boas!", comenta uma das autoras da investigação ao Fast Company.

No entanto, essa destreza foi boa até um certo ponto. Quando os investigadores introduziram um elemento distrator intencional, que os participantes deveriam ignorar, os indivíduos acabaram por não conseguir evitar. Dos quatro quadrados, um foi delineado pela cor branca, mas o "distrator" foi cercado por pontos brancos.

Na maior parte dos casos, as pessoas ainda recordavam a cor que deveriam "seguir" e marcavam-na na roda das cores. Mas cerca de 20 a 30% do tempo, os participantes relatavam a cor do distrator como a correta, sem saber do erro. "As pessoas pensavam que era a cor certa, relatada com tanta confiança quanto a cor correta", diz Golomb.

E de que forma é que a investigadora tem essa informação? Golomb explica que foi pedido aos indivíduos para classificarem a confiança relativamente às suas respostas, tendo também a opção de escolherem nenhuma cor, admitindo que não se conseguiam lembrar.

Esta já não é o primeiro estudo da investigadora que analisa o impacto das "distrações", concluindo já que a ideia de multitarefa não é uma boa ideia. Noutra investigação, os quadrados simples foram expandidos e misturados noutras várias formas. Novamente, os investigadores concluíram que as pessoas misturavam informações, confundindo o que se deveriam lembrar com aquilo que as distraía.

A investigação vem assim alertar para o impacto que as notificações podem ter na nossa memória, mas há uma diferença enorme entre quadrados coloridos e manchetes de notícias reais e falsas no Facebook, por exemplo.

“Se somos suscetíveis a cometer esses erros, se podemos misturar algo tão simples quanto dois quadrados de cores sólidas, o que significa quando temos um rolo de informações incrivelmente desordenado?"

Golomb não tem uma resposta pronta para esta pergunta, já que identificou o problema e não a solução. No entanto, na opinião da investigadora, se for um produtor de conteúdo, é importante concentrar toda a informação num único espaço. Caso seja um consumidor, ter logo a consciência que de as distrações podem afetar o seu pensamento, já é um ponto de partida.

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