Desde o dia 8 de janeiro que o acesso à Internet está bloqueado no Irão, acompanhado por limitações significativas nas telecomunicações. Como mostram os mais recentes dados da Netblocks, o apagão, que surge em resposta aos protestos no país, já dura há 96 horas

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Os protestos começaram a 28 de dezembro, em resposta à subida acentuada dos preços, transformando-se depois num movimento contra o governo do país. O bloqueio ocorreu um dias depois de os responsáveis máximos do sistema judicial iraniano e dos serviços de segurança terem afirmado que aplicariam medidas severas contra quem participasse nos protestos, noticiou o The New York Times,

"O apagão em curso viola os direitos e liberdades fundamentais dos iranianos, ao mesmo tempo que oculta a violência do regime", defende a Netblocks. Além desta organização, que tem vindo a acompanhar a evolução desde os primeiros momentos do bloqueio, dados avançados pelo Cloudflare Radar permitem também ver a dimensão do apagão.

Clique nas imagens para ver com mais detalhe

Como defende Rebecca White, investigadora do Laboratório de Segurança da Amnistia Internacional, “este bloqueio total da Internet, não só oculta as violações dos direitos humanos, como constitui, em si mesmo, uma grave violação dos direitos humanos”. 

A responsável recorda que, anteriormente, as autoridades iranianas já utilizaram anteriormente bloqueios à Internet para restringir as comunicações e o acesso à informação, como em 2019 e, mais recentemente, em 2022, na sequência de protestos após a morte de Masha Amini.

“O direito de protestar estende-se aos espaços digitais”, afirma Rebecca White. “Cortes gerais ou totais da Internet são inerentemente desproporcionais sob o direito internacional dos direitos humanos e nunca devem ser impostos, mesmo em casos de emergência”, acrescenta, apelando às autoridades iranianas que restaurem o acesso à Internet,

Nos últimos dias, a repressão contra os protestos aumentou, com organizações de direitos humanos como a HRANA (Human Rights Activists News Agency) a relatarem centenas de vítimas, avança a Reuters.

Segundo os mais recentes dados partilhados pela organização sediada nos Estados Unidos, contabilizam-se mais de 500 mortes, incluindo 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança, com mais de 10.600 pessoas detidas ao longo das duas últimas semanas. O governo iraniano não divulgou números oficiais, com a agência noticiosa a não conseguir verificar de forma independente os números avançados.

Ainda este domingo, em declarações aos jornalistas citadas pela Reuters, Donald Trump afirmou que planeia falar com Elon Musk para restaurar o acesso à Internet no Irão. Recorde-se que, anteriormente, Elon Musk já tinha apoiado a disponibilização dos serviços da Starlink aos iranianos para contornar as restrições impostas pelo governo, incluindo durante os protestos de 2022.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.