É preciso estar em Las Vegas para perceber a verdadeira dimensão da CES, a Consumer Electronics Show, que se afirma como a maior feira de eletrónica de consumo mas que já transbordou as fronteiras mais “techie” e de consumo, transformando-se numa montra para soluções empresariais e todo o tipo de produtos que incluam alguma tecnologia, ou onde esta possa ser adicionada.

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A feira decorreu entre os dias 6 e 9 de janeiro, mas a animação começou muito mais cedo, com as pré-conferências ainda em dezembro e os dias reservados aos media a 4 e 5 de janeiro a concentrar muitos dos principais anúncios, para além da CES Unveiled, onde as empresas aproveitam o tempo dedicado pelos jornalistas para mostrarem as novidades.

De carros elétricos e autónomos a robots aspiradores e de limpeza de piscinas, gadgets de saúde e de casa inteligentes, a bonecas sexuais e chupa chupas com música, é possível encontrar um pouco de tudo pelos corredores dos espaços de exposição da CES 2026 em Las Vegas, que se estendem pelas salas reservadas pelas empresas para apresentarem de forma mais privada os seus produtos e mesmo a Sphere.

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As tendências alinhadas pela CTA mostram também que é a transformação inteligente, a longevidade e aposta na inovação que marcam a edição de 2026. Mas o sector vai continuar a crescer, para cerca de 1,3 biliões de dólares em 2026, com a Europa e o Médio Oriente e África a destacarem-se como as regiões de maior crescimento. 

Apesar do contexto geopolítico e das divergências geradas pela imposição de taxas pela administração Trump, e as limitações aos vistos de trabalho e de visita aos Estados Unidos, não é fácil de medir a forma como isso afetou a CES 2026. Algumas das principais empresas chinesas de eletrónica de consumo marcaram presença como expositoras, apesar da ausência da Huawei que ainda resistiu alguns anos após as sanções, e quem passava pelos vários espaços não sentia falta de representatividade internacional, embora a organização tenha assumido que só cerca de 40% dos visitantes eram de fora dos Estados Unidos.

Os números oficiais partilhados pela Consumer Technology Association (CTA) no último dia da feira apontam para mais de 148 mil visitantes, 55 mil dos quais de fora dos Estados Unidos, e mais de 4.100 expositores, a contar com 1.200 startups.  Tudo num espaço de exposição de 241 mil metros quadrados, em três áreas principais a que se somam 12 espaços de eventos e mais de 400 conferências.

CES 2026 - Mapa de Las Vegas
CES 2026 - Mapa de Las Vegas CES 2026 - Mapa de Las Vegas

Os números são impressionantes e Gary Shapiro, CEO da Consumer Technology Association (CTA), foi sublinhando que a CES é o espaço mais poderoso de inovação no mundo, e é mais do que apenas uma exposição.

“É mais do que uma exposição, é onde a tecnologia encontra a comunidade, o negócio e a definição de políticas. Líderes globais, startups e decisores políticos reuniram-se para destacar as tecnologias que definirão a próxima década de crescimento económico e competitividade”, justifica Gary Shapiro.

Para além das empresas, a CES recebeu representantes de mais de 200 governos e Portugal também esteve presente com a Startup Portugal a avaliar a possibilidade de apoiar startups na sua presença na feira de Las Vegas, que ainda são em número muito curto, mas com ambição.

Muita Inteligência Artificial em todo o lado (mas nem sempre com sentido)

Das conferências aos produtos, o tema chave da tecnologia nos últimos meses esteva naturalmente em destaque, e a inteligência artificial na boca de todos os oradores e nas descrições de todos os produtos. Até nos “comprimidos com IA”, ou na análise dos dejetos na sanita, a tecnologia é apoio na identificação de padrões, na tradução e na compreensão da informação.

Ao contrário de outros anos onde se mediam inovações na tecnologia de ecrãs nos televisores, nos formatos de PCs e smartphones, estes não foram os principais destaques deste ano. A saúde e o bem estar, a comunicação e a casa inteligente, continuam bem presentes, com mais sistemas de apoio a uma vida saudável e à mobilidade, com exoesqueletos a multiplicarem-se pelas ofertas de várias empresas.

A integração entre os eletrodomésticos, que preconizam uma casa que se adapta às preferências dos utilizadores e reduz o trabalho rotineiro, está cada vez mais próxima e a visão estende-se também às deslocações no automóvel, passando o entretenimento dos ecrãs domésticos para o carro, ou o trabalho para uma vida sempre “conectada”. Empresas como a LG, a Samsung, Hisense e TCL deixaram bem clara a visão, mas ainda falta colocá-la realmente em prática, especialmente numa casa com equipamentos de várias marcas.

Novos interfaces como os óculos inteligentes, que integram uma camada adicional de informação sobre a realidade ou oferecem acesso a um ecrã privado, como os XReal One, traduzem conversas entre diferentes línguas e até ajudam cegos a “ver” e pessoas com deficiência auditiva a ouvir melhor, também fazem parte dos gadgets que se estão a massificar. Tal como os anéis ou outros wearables em modo de jóias, que captam sons e imagens para registar o dia a dia, transformando-se em assistentes personalizados, como indica o projecto Maxwell da Lenovo e a Qira, ou apoio ao bem estar mental.

E depois há a “IA física”, uma das grandes tendências do ano e que foi muito bem explicada por  Jensen Huang, CEO da Nvidia, que diz que “o momento ChatGPT para a IA física está próximo”, num keynote de duas horas onde revelou a visão para o futuro da IA e plataformas abertas.

Por dentro da CES 2026 em Las Vegas
Por dentro da CES 2026 em Las Vegas Media Days na CES 2026 | Keynote Nvidia

Os pequenos robots, mais ou menos fofinhos como a reedição do Tamagochi, já começam a ser normais e a IA generativa dá-lhes mas “personalidade”, mas há cada vez mais robots antropomórficos a fazer piruetas e danças pelos stands da CES 2026, ou aprendem a dobrar roupa (em modo muito lentinho) como o robot CLOiD da LG. Os mais úteis ainda são os que têm um formato menos humanizado, mas que já se tornaram assistentes importantes nas fábricas e armazéns, ou na limpeza doméstica.

Os prémios Worst in Show já foram escolhidos não apenas pela funcionalidade mas por se revelarem autênticos "pesadelos" para a privacidade e segurança ou por contribuírem para a criação de mais lixo eletrónico. E a lista podia ser muito mais extensa.

A inovação também é isso, e há muitas startups e empresas a testarem novos formatos e tecnologias nestas feiras. Por isso muitos dos produtos que encontrámos e experimentámos este ano podem nunca chegar a tornar-se soluções comerciais, mas outros vão ganhar o seu caminho e é natural que surjam vários modelos e derivações que depois acabam por chegar às lojas. No próximo ano cá estaremos para o verificar.

Este ano o TEK Notícias voltou a estar em Las Vegas para acompanhar os principais anúncios, e pode seguir tudo com o nosso Especial CES 2026.