Foi partilhada a primeira imagem detalhada do cometa interestelar 3I/ATLAS, enviada pela sonda europeia Juice, sigla para Jupiter Icy Moons Explorer. O retrato mostra um visitante vindo de fora do Sistema Solar a libertar poeira e gás, num cenário que mistura surpresa e familiaridade.
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A imagem foi captada a 6 de novembro de 2025 pela câmara científica JANUS, apenas sete dias depois de o cometa ter passado no ponto mais próximo do Sol. Nessa altura, a Juice estava a cerca de 66 milhões de quilómetros do objeto. O núcleo sólido do cometa é demasiado pequeno para ser visto, mas está rodeado por uma nuvem brilhante de gás - a chamada “coma” - e por uma longa cauda que se estende no espaço. Distinguem-se ainda jatos e filamentos, sinais claros de atividade.
Apesar de ser um viajante interestelar, o 3I/ATLAS comporta-se como um cometa “normal”. A aproximação ao Sol aqueceu os seus materiais gelados, libertando gás e poeira. No canto da imagem, setas indicam a direção do movimento do cometa e a posição relativa do Sol, ajudando a interpretar a forma da cauda.
Veja as imagens que tinham sido captadas do 3I/ATLAS
A Juice foi lançada pela Agência Espacial Europeia para estudar Júpiter e três das suas luas geladas, com chegada prevista em 2031. A missão foi desenhada para analisar ambientes que podem ter condições favoráveis à vida. No caminho até lá, a equipa científica aproveitou a oportunidade rara de observar um cometa vindo de fora do nosso sistema planetário.
Durante novembro, cinco instrumentos da sonda estiveram apontados ao 3I/ATLAS: JANUS (imagem de alta resolução), MAJIS e UVS (espectrometria), SWI (composição) e PEP (partículas). Ao todo, a JANUS recolheu mais de 120 imagens em vários comprimentos de onda. O objetivo é perceber como o cometa estava a reagir ao calor solar e que materiais transporta consigo, pistas sobre a região distante onde se formou.
Houve, no entanto, um contratempo que exigiu paciência. Nos meses seguintes às observações, a Juice ficou do lado oposto do Sol em relação à Terra. A antena principal de alto ganho foi usada como escudo térmico, protegendo os sistemas do calor intenso, e os dados tiveram de ser enviados por uma antena secundária, mais lenta. As equipas só começaram a receber a informação completa no final de fevereiro de 2026.
Ainda antes disso, os engenheiros decidiram descarregar uma parte de uma imagem da câmara de navegação, pensada apenas para orientar a sonda. O resultado - que funcionou como uma espécie de teaser - mostrou já uma coma bem definida e indícios de duas caudas: uma de plasma, composta por gás ionizado, e outra de poeira, mais ténue.
Agora que já têm a informação completa, a intenção dos cientistas é continuar a analisar cuidadosamente cada conjunto de dados.
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